Consenso de Hepatite C

A hepatite causada pelo vírus C se constitui atualmente em um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo e essa situação deverá ser mantida pelo menos nos próximos dez anos, segundo previsão do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Isso porque embora o número de casos novos venha diminuindo progressivamente desde a implantação dos testes sorológicos que permitem o diagnóstico dos portadores crônicos da doença e a triagem dos candidatos a doadores de sangue, as pessoas infectadas anteriormente, antes do início da década de 90, e que se mantêm como portadores crônicos do vírus, representam cerca de 2% da população de todo o mundo.

No Brasil, há 3,6 milhões de indivíduos cronicamente infectados, dos quais 400.000 estão no Estado de São Paulo. É importante lembrar que a infecção crônica pelo VHC é uma das principais causas de morte por hepatopatia; nos países desenvolvidos é a primeira causa de indicação de transplante do fígado e representa o mais importante agente causador de hepatocarcinoma.

Não é por outra razão que o recentemente realizado 3º Congresso Paulista de Infectologia, em Piracicaba, no período de 14 a 17 de agosto pp., teve como tema principal as Hepatites Virais e produziu um documento extremamente importante, o “I Consenso da Sociedade Paulista de Infectologia para Manuseio e Terapia da Hepatite C - 2002”. Esse Consenso resultou da reunião de infectologistas do Estado de São Paulo, dedicados ao estudo e ao tratamento de pacientes com hepatite por VHC que, baseados nos dados da literatura nacional e internacional disponíveis até o momento e na experiência de seus serviços, propõem princípios para o manuseio e o tratamento da hepatite por VHC, considerados os mais adequados neste momento e neste local.

Acreditamos que esta seja uma contribuição importante não só para os especialistas como também para os médicos em geral, na sua batalha diária nos ambulatórios públicos ou de clínica privada em todo o Estado. Prestamos ainda nossa colaboração às autoridades da área da saúde no sentido de oferecer subsídios para os programas de hepatite, quer em nível estadual ou federal, que vêm sendo desenvolvidos atualmente.

Prof. Dr. Antonio Alci Barone