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Novos Avanços
As duas últimas décadas têm sido marcadas por um extraordinariamente rápido e crescente desenvolvimento da Oncologia Clínica. Neoplasias malignas como as leucemias agudas, os tumores trofoblásticos, os tumores testiculares, os linfomas Hodgkin e não-Hodgkin, os tumores sólidos infantis, o câncer ovariano e o carcinoma de pequenas células de pulmão têm se firmado como tumores potencialmente curáveis através do moderno tratamento quimioterápico, mesmo quando apresentam-se em estádios mais avançados. Por outro lado, vários tumores sólidos, como os cânceres de mama, estômago, bexiga e cólon, embora não curáveis em seu estádio mais avançado, são controlados na maior parte das vezes, através de um tratamento sistêmico, permitindo que os pacientes experimentem um prolongamento de sua sobrevida com uma melhoria da qualidade de vida, obtidas pela redução da morbidade causada pelo câncer.
O carcinoma pulmonar de células não-pequenas também tem obtido avanços em seu tratamento. Não só pela melhoria das técnicas cirúrgicas e avanços no tratamento radioterápico mas, certamente, pelo uso cada vez mais consistente de drogas quimioterápicas, de forma neo-adjuvante ou exclusiva. Modernas combinações de drogas, denominadas como de segunda geração, associadas à platina, já permitem um incremento da sobrevida mediana, nos portadores de doença avançada. Os números, embora ainda modestos, significam pelo menos o triplo da expectativa de sobrevida, quando os comparamos com os esperados para pacientes não tratados, ou tratados apenas paliativamente. Também observamos avanços no tratamento da doença localmente avançada: a quimioterapia pré-operatória ou neo-adjuvante tem sido cada vez mais empregada nos casos de estadiamento IIIaN2, bem como o uso da quimioterapia associada à radioterapia, nos casos de doença iressecável. Neste cenário, a quimioterapia tem demonstrado ser efetiva na melhoria do controle local e sistêmico da doença, elevando assim as taxas de cura.
Finalmente, as novas drogas denominadas alvo-específicas ou biológico-moleculares vêm se somar ao arsenal já disponível de agentes quimioterápicos tradicionais. As pesquisas agora se concentram não só em novos agentes biológicos, mas também na melhor seqüência de sua administração. Por isso, revistas médicas da magnitude da Prática Hospitalar têm seu papel fundamental na divulgação e veiculação destes avanços, aprimorando assim o conhecimento médico e científico da especialidade oncológica no Brasil.
Prof. Dr. André Márcio Murad
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