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Especialistas Brasileiros e Franceses se Reúnem
e Integram a Oncologia dos Dois Países
Por Cynthia de Oliveira Araujo
No final de outubro a cidade do Rio de Janeiro foi cenário de um encontro que
representará um marco para a oncologia brasileira. Os melhores especialistas franceses
e brasileiros na área estiveram reunidos durante o II Congresso Franco-Brasileiro de
Oncologia para discutir e trocar experiências sobre as mais novas técnicas e terapias
de tratamento do câncer, promovendo a troca de experiências entre os profissionais dos
dois países e visando uma maior sobrevida e melhor qualidade de vida dos pacientes.
Os tumores mais freqüentes no Brasil, como de câncer de mama, colorretal, pulmão, próstata, melanoma, além dos hematológicos, foram amplamente discutidos. E reverter essas discussões em noções práticas aos oncologistas brasileiros era uma das intenções da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia. O objetivo era levar uma noção prática do dia-a-dia dos especialistas em cada segmento na Europa e no mundo, mostrando o que há de mais novo e o que já está comprovado que pode ou não ser utilizado em cada câncer, explica a presidente do II Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia e da Sociedade, Dra. Carla Ismael.
Nomes respeitados da oncologia mundial estiveram no evento, como os Prof. Thomas Tursz, Diretor do Institut Gustave Roussy, na França e presidente de honra, que proferiu a conferência de abertura com o tema O novo século, novas esperanças, novos tratamentos.
Outros especialistas de renome representando a comunidade científica internacional estiveram presentes, como os Drs. Aimery De Gramont, Alain Depierre, Alain Chapelier, Axel Le Cesne, Christian Domenge, Bernard Luboinski, Dominique Elias, François Eschwege, Jean Bourhis, Jean Pierre Armand, Jean Pierre Ge-rard, Marc Spielman, Martine Piccart, Matti Aapro e Michel Marty.
EXPERIÊNCIAS DE GRUPOS COOPERATIVOS
Os franceses já estão acostumados a trabalhar com grupos cooperativos na Europa e nos Estados Unidos. Durante o congresso foram mostradas as experiências de grupos cooperativos americanos e europeus, principalmente no tratamento do câncer de pulmão. O que é um exemplo importante a ser seguido pelos especialistas brasileiros e que vem sendo amplamente discutido, conforme foi demonstrado na reunião realizada durante o evento do Grupo Cooperativo Brasileiro de Oncologia Clínica GBOC.
Além de ficarem apaixonados pelo Brasil, os franceses ficaram muito impressionados com o elevado nível dos nossos oncologistas e muito satisfeitos com o Congresso. E estão muito entusiasmados com a possibilidade de trocar projetos e pesquisas com grupos cooperativos no Brasil, explica a oncologista.
E mais importante é que há um grande interesse de grandes instituições médicas francesas, como o Institut Gustave Roussy, em acolher oncologistas brasileiros que queiram fazer residência e mestrado na França. E custear bolsas de estudos a médicos estudantes de medicina ligados à área oncológica médico-científica é uma das muitas funções da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia. Acho que uma sociedade médica só é boa e válida quando ela traz benefícios para os profissionais que fazem parte dela. Queremos que a Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia seja útil a todos os colegas oncologistas e que tenha seu valor. É esse nosso ideal. Há o interesse dos jovens brasileiros, só não há oportunidade e conhecimento, enfatiza a Dra. Carla.
A Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia irá permitir uma aproximação maior das duas medicinas, que só têm a ganhar. O Brasil irá aprender o que há de excelência na França e na Europa. E a sociedade irá fazer uma ponte entre os dois países. Para isso todos os colegas devem participar ativamente, comenta Dr. Christian Domenge, presidente do Comitê Científico do congresso.
RESGATE DA MEDICINA FRANCESA
O primeiro passo na aproximação dos oncologistas brasileiros do que fazem os franceses foi dado. Estou muito contente porque nossos colegas estão começando a descobrir que há muito mais afinidade com a medicina da Europa do que com a dos Estados Unidos. A forma de tratar e os esquemas de tratamento utilizados nos pacientes são muito mais racionais e muito mais próximos da nossa realidade, destaca a presidente.
Para o Dr. Christian Domenge, essa aproximação é muito bem- vinda. Infelizmente nas últimas décadas, por causa das grandes guerras, o Brasil se distanciou da Europa. Por isso é muito importante que o Brasil e a América Latina, que possuem uma cultura mais latina do que americana, possam se aproximar mais da medicina francesa, revela ele e completa:
Não podemos negar que nos Estados Unidos pratica-se uma medicina de excelente qualidade, com drogas recentes, tecnologia avançada, mas a relação médico-paciente é um pouco distante. Já na França, como na Europa, essa relação é mais próxima do paciente, mais humanista. Os médicos franceses procuram fazer o máximo para que o paciente sofra o menos possível. Além disso, há uma tendência em se abordar a doença com um tratamento menos agressivo ao paciente, com menos toxicidade, que permita oferecer-lhe uma melhor qualidade de vida.
Segundo a Dra. Carla, os profissionais não imaginavam a dimensão que teria a realização desse primeiro congresso no Brasil. Somente agora a maioria silenciosa, como ela denominou, está descobrindo os oncologistas franceses. É um resgate da medicina francesa e sobretudo da importância que teve a França no início do século passado para o país. E nesse resgate estamos descobrindo colegas que fizeram residência na França e que por lá ficaram espalhados por todo o país. A Sociedade Franco-Brasileira será um ponto de união entre os profissionais dos dois países, explica ela.
A Sociedade já conta com duas sedes. Uma em Nice, na França, desde o ano passado e uma em Petrópolis, que brevemente será transferida para a cidade do Rio de Janeiro.
MAIS ATIVIDADES PROGRAMADAS
Além de abordar os tumores mais freqüentes, o evento deu um destaque especial a temas como programas de prevenção do câncer, novas drogas e cuidados paliativos e de realizar paralelamente duas jornadas: a I Jornada Franco-Brasileira de Radioterapia e a I Jornada Franco-Brasileira de Oncologia Torácica.
O evento também foi marcado pela confraternização dos congressistas, convidados brasileiros e franceses com atividades sociais em todos os dias.
O II Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia teve o importante apoio de sociedades e instituições brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT), Conselho Regional de Medicina (CREMERJ) e do Instituto Nacional de Cancerologia (INCA). E pela França, o apoio da Societé Française du Cancer, além do Institut Gustave Roussy.
O Congresso foi apenas o início das atividades da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia inaugurada recentemente, que agora pretende dar continuidade às atividades científicas, culturais e de ensino, promovendo a troca de experiências entre a França e o Brasil.
Para 2003 já estão programados eventos culturais e para setembro de 2004 o III Congresso Franco-Brasileiro, que será realizado em Paris. O site da Sociedade (www.oncologiafrancobrasileira.com) irá trazer informações sobre o evento.
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