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Conferência Nacional de Câncer Aborda Experiências
e Perspectivas no Tratamento do Câncer no Brasil
Por Luciana Rodriguez
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Dr. Milton Rabinowits (à esq.),
Dr. James Flek,
Dr. Ricardo Marques e
Dr. Gilson Delgado |
Depois do sucesso obtido na Conferência Nacional de Câncer de 2001 (Novas Tendências no Tratamento do Câncer) o Centro de Estudos e Pesquisas Oncológicas de Campinas CEPOC resolveu organizar a II Conferência Nacional de Câncer (CNC). Durante esta segunda edição do evento, realizada de 28 a 30 de novembro de 2002, Campinas tornou-se a capital nacional do câncer. Direcionada a todos os especialistas que trabalham na área oncológica, tais como cirurgiões, radioterapeutas, oncologistas clínicos e estudantes, a CNC contou com a participação de especialistas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará.
A Conferência aconteceu paralelamente a outros eventos de grande importância para a oncologia: marcou a semana do Dia Nacional de Combate ao Câncer e celebrou os 25 anos do Centro de Oncologia Campinas (ver box). Além disso, também contribuiu para a grandiosidade do evento o simpósio-satélite de radiocirurgia e radioterapia, promovido pelo COC, com o tema O Papel Atual da Radioterapia nas Lesões Benignas.
A Experiência Nacional no Tratamento do Câncer foi o enfoque da II CNC de 2002. Os principais estudos e pesquisas sobre o tratamento do câncer realizados no Brasil, as descobertas, uso de medicamentos e perspectivas para os próximos anos foram incansavelmente discutidos no evento. A Conferência foi uma grande oportunidade para os oncologistas brasileiros entrarem em contato com as pesquisas de ponta e proporcionar melhores resultados aos seus pacientes. Para isso, seus organizadores selecionaram os especialistas em oncologia que mais se destacaram no ano de 2002 e que apresentaram os resultados de suas experiências em importantes congressos, como a ASCO (American Society of Clinical Oncology) e a ECCO (European Cancer Conference).
Dr. Carlos Barrios (à esq.),
Dr. José Getúlio Segalla,
Dra. Eloa Brabo e
Dr. Artur Katz |
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Para o Chefe do Serviço de Oncologia Clínica da Santa Casa de Belo Horizonte e Chefe do Setor de Oncologia Clínica do Hospital Belo Horizonte, Dr. Sebastião Cabral Filho, a comissão organizadora conhece as necessidades de cada região do Brasil e tem uma visão do país e do mundo que são explicitadas pela abordagem de vários tipos de câncer, pelo convite aos profissionais de renome internacional e pelo fato de o público-alvo da conferência ser formador de opinião e disseminador das idéias apresentadas.
Além dos importantes conteúdos apresentados pelos palestrantes e congressistas, a integração destes profissionais também foi fundamental para o sucesso da CNC. Segundo o oncologista clínico, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e diretor do Centro de Oncologia Campinas, Dr. André Moraes, neste ano foi mais difícil montar o programa da conferência, pois são muitos os trabalhos relevantes e isso só mostra a importância e o progresso da oncologia nacional. Nosso objetivo é sempre convidar profissionais que interajam e integrem seus conhecimentos, diz o médico.
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Dr. Sebastião Cabral Filho |
ASSUNTOS ABORDADOS
Os temas debatidos nesta II Conferência foram câncer de pulmão, câncer do trato geniturinário, câncer de mama, linfomas, leucemias e tumores do trato gastrointestinal.
No primeiro dia do evento, a discussão foi sobre câncer de pulmão. Dentre as palestras foram apresentados estudos de carboplatina e gencitabina no câncer de pulmão não-pequenas células avançado e uma análise prospectiva de qualidade de vida em estudo randomizado multinacional fase III, comparando docetaxel mais cisplatina ou carboplatina com vinorelbina mais cisplatina em pacientes com câncer de pulmão não-pequenas células avançado. Além disso foi debatido, pelo Diretor do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Brigadeiro/SP, Dr. Artur Malzyner, o uso de Iressa® em outros tumores sólidos.
Ainda no primeiro dia da conferência, palestrantes discutiram sobre outro tema: câncer do trato geniturinário. Alguns dos assuntos palestrados foram: estudo de marcadores moleculares no câncer de bexiga avançado tratados com Gemzar® e cisplatina; bloqueio androgênico primário e concomitante à radioterapia conformacional e braquiterapia de alta taxa de dose em pacientes com câncer de próstata inicial e localmente avançado; privação androgênica neo-adjuvante antes do boast com alta taxa de dose de braquiterapia e radioterapia externa convencional para tratamento de câncer de próstata inicial e localmente avançado, entre outros. O oncologista do Centro Paulista de Oncologia e do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Oren Smaletz, palestrou sobre análogo do Epothilone B (BMS-247550) com fosfato de estramustine em pacientes com câncer de próstata progressivo e metastático pós-castração e a fase I de alta dose de calcitriol (1,25 (OH)2 vitamina D3) e ácido zolendrônico em pacientes com câncer de próstata.
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Dr. André Moraes |
A superexpressão de HER-2 como o mais importante fator de sobrevida livre de recidiva em pacientes com câncer de mama axila positiva; a correlação da determinação de HER-2 por FISH X imunoistoquímica; a correlação da determinação de HER-2 sérico por PCR X imunoistoquímica; os recentes resultados com trastuzumab (apresentado pelo oncologista clínico do Centro Paulista de Oncologia e do Hospital Albert Einstein, Dr. Artur Katz), Xeloda® e Taxotere® em câncer de mama avançado (palestrado pelo oncologista do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Ricardo Marques); TAC X FAC adjuvante em câncer de mama; herceptina como droga isolada em primeira linha em câncer de mama metastático (uso a cada 3 semanas); combinação de gencitabina e carboplatina em câncer de mama metastático (abordado pelo Dr. André Moraes), foram algumas das palestras realizadas nos dias conseguintes do evento. Durante a apresentação do diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas da PUC/RS, Dr. Carlos Barrios, foi discutido o uso de Glivec® em tumores sólidos não-GIST. O professor titular de oncologia clínica da Faculdade de Medicina de Sorocaba PUC/SP e chefe do serviço de oncologia clínica do Conjunto Hospital de Sorocaba, o Dr. Gilson Delgado, falou sobre as combinações com Navelbine® no câncer de mama avançado.
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Dr. Fernando Medina da Cunha |
Estudos com o uso de gencitabina, irinotecan e docetaxel em pacientes com câncer, que já haviam sido citados nas palestras sobre câncer de pulmão e câncer de mama, foram novamente citados durante o tema tumores do trato gastrointestinal: estudo fase II multicêntrico de gencitabina e irinotecan em pacientes com câncer de vias biliares avançado; estudo fase II multicêntrico de docetaxel, fluorouracil e epirrubicina em pacientes com câncer gástrico avançado sem tratamento prévio; irinotecan, oxaliplatina e raltitrexato a cada 2 semanas em pacientes com câncer colorretal avançado sem tratamento prévio, entre outros estudos.
Nos debates sobre linfomas e leucemias, questões sobre a imunofenotipagem (importância); Mabithera® combinado com CHOP em linfomas agressivos e em linfomas de baixo grau; novas abordagens terapêuticas na doença de Hodgkin e Glivec® no tratamento de leucemia mielóide crônica foram debatidas.
No conjunto das palestras apresentadas, o auge de atenção do público ficou voltado para a discussão dos resultados obtidos nos estudos do uso de novas drogas e a combinação de duas ou mais delas. Em vários casos, os novos medicamentos trazem melhoria na qualidade de vida dos pacientes e podem ser administrados por via oral.
RADIOTERAPIA E RADIOCIRURGIA
O simpósio-satélite realizado durante o evento abordou os avanços na imagenologia de SNC e suas aplicações na radioterapia moderna; a radioterapia em hemangioma vertebral e sinovites; diretrizes do grupo europeu de doenças benignas; biologia celular e molecular em radiobiologia e fundamentos para radioterapia; radiocirurgia em AVM, craniofaringiomas e tumores de hipófise; as doenças benignas no contexto da radioterapia moderna e foi realizada, também, uma mesa-redonda sobre a rotina da radioterapia em lesões benignas.
Para o radioterapeuta da MacGill University de Montreal/Canadá, Dr. Sérgio Faria, um evento como este é imprescindível para a oncologia brasileira. O diferencial desse evento é que ele debate a realidade nacional, com todas as dificuldades e limitações que a saúde enfrenta no Brasil. No Canadá a saúde é estatal e não existem iniciativas privadas, o que gera alguns problemas semelhantes aos do Terceiro Mundo, já que não se consegue atender toda a demanda. O Brasil possui uma realidade mais próxima à do Canadá e da Europa na tecnologia e palestrantes norte-americanos apresentariam realidades que não são as nossas, daí a importância de se discutir a realidade nacional, afirma Dr. Faria.
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