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Fórum Discute Infecções Fúngicas
na Prática Clínica
Por Luciana Rodriguez

O Infocus América Latina, primeiro fórum de infecções fúngicas na prática clínica, foi realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2002 em São Paulo. O programa do evento consistiu em novidades sobre a abordagem clínica de infecções fúngicas oportunísticas em pacientes com diferentes tipos de doenças, inclusive portadores de Aids e os submetidos a transplantes. Além disso, outro assunto discutido no Infocus foram as modificações da terapêutica antifúngica graças ao surgimento de novas drogas com maior segurança e eficácia do que as utilizadas até então.
O evento contou com 15 palestrantes de diferentes Estados do Brasil e sete convidados internacionais e foi destinado a infectologistas, oncologistas, intensivistas, médicos que trabalham com transplantes e clínicos de forma geral que manuseiam pacientes hospitalizados por tempo prolongado, pós-operatório e que são submetidos a procedimentos médicos invasivos.
De acordo com o presidente do evento, Prof. Dr. Arnaldo Lopes Colombo, o fórum é importante para desmistificar a micologia para os clínicos e para trazer para diferentes especialidades médicas, que trabalham com pacientes de risco com infecções fúngicas, conceitos sobre população de risco, fatores de risco com infecções fúngicas, história natural das infecções, recursos, diagnósticos e, sobretudo, como tratar estes pacientes. Vivemos em uma época em que o tratamento das infecções fúngicas está sendo reescrito com drogas de altíssima eficácia e baixa toxicidade. Na minha opinião isso deve ser divulgado e deve ser de acesso a todos os clínicos que trabalham com pacientes de risco, para que possamos oferecer uma melhor história natural para estes pacientes, afirmou Dr. Colombo, médico infectologista e professor da disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Unifesp/EPM.
EVENTO PIONEIRO
O fórum reuniu profissionais de grande experiência, que colocaram em discussão uma série de importantes questões sobre infecções fúngicas. Os especialistas têm a oportunidade de ter um contato com o que há de mais recente em várias esferas da epidemiologia de diagnóstico e de tratamento, o que acaba tendo um impacto favorável dentro de cada instituição, porque os médicos irão se interessar mais sobre o assunto e adquirir mais conhecimentos para poder tratar os pacientes. Um evento desse tipo traz a informação de uma forma bem organizada, compacta e sólida, ressaltou um dos palestrantes do evento, Prof. Dr. Márcio Nucci, Professor Adjunto do Departamento de Clínica Médica da UFRJ e chefe do Laboratório de Micologia do Hospital Universitário da UFRJ.

Dentre outras razões, o evento se destacou por colocar em debate um tipo de infecção que apresentava poucas opções de tratamento. Para o Prof. Dr. Luis Fernando Aranha Camargo, médico supervisor do CTI do Hospital Israelita Albert Einstein e chefe da CCIH do Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp, o evento é muito importante por dois motivos. Primeiro, por ser pioneiro e, segundo, por ocorrer em um momento em que a terapia antifúngica recebe novas drogas e opções terapêuticas que estão sendo disponibilizadas com melhora do prognóstico de pacientes com infecções fúngicas graves. Este é o momento oportuno para avaliarmos e reavaliarmos o estado atual das infecções fúngicas em pacientes graves e avaliar o papel que os novos medicamente terão no tratamento desses pacientes, ressaltou o especialista.

NOVAS DROGAS
Os avanços mais recentes para o tratamento das infecções fúngicas foram amplamente discutidos no evento. Segundo o Dr. Arnaldo Colombo, estão em investigação pelo menos seis novas drogas, que devem ser lançadas nos próximos anos, e duas que estão em estado avançado de definição do seu papel clínico. Estamos muito entusiasmados na discussão do papel terapêutico dos novos triazólicos, tais como o voriconazol e a equinocandina. O voriconazol é uma droga de amplo espectro, com excelentes resultados contra a aspergilose, que é uma doença que mata muitos pacientes neutropênicos. A equinocandina é uma nova classe terapêutica de drogas, com um potencial de toxicidade baixíssimo e uma altíssima eficácia em relação a Candida, que também tem demonstrado em ensaios clínicos alguma eficácia em pacientes com aspergilose refratária. Até o advento dessas novas drogas trabalhávamos com um universo muito pequeno de drogas: anfotericina B, fluconazol e itraconazol, revela o especialista, que ainda completa: Os triazólicos antigos fluconazol e itraconazol desempenharam um papel importante, mas por problemas de biodisponibilidade do itraconazol e devido a problemas de uso clínico bastante similares ao fluconazol, começamos a ter resistência a estes agentes. O uso do fluconazol levou ao surgimento de espécies não-albicans. Em profilaxia de transplantes, aconteceu o surgimento de infecções por fungos filamentosos com alta mortalidade. A anfotericina B. que é a droga mais utilizada por seu baixo custo, é associada a altíssima toxicidade renal. As formulações lipídicas constituem uma opção interessante para quem precisa tomar anfotericina B, mas tem um custo significativo. Então, não há dúvidas de que ampliar o arsenal terapêutico numa situação em que novos fungos estão emergindo resistentes às drogas disponíveis é fundamental. As novas drogas que surgem são muito bem-vindas e vão beneficiar um número significativo de pacientes, afirmou o presidente do Infocus.

A expectativa de melhores resultados com os novos medicamentos é compartilhada pelo Dr. Luis Fernando, que palestrou sobre Infecções em transplante de rim: Nós temos um espectro limitado até hoje. A partir de agora, com o lançamento da equinocandina e do voriconazol, temos uma perspectiva provavelmente diferente e muito melhor.
PRINCIPAIS DESAFIOS
O histórico sobre as infecções fúngicas e todas as novidades em medicamentos levaram a uma outra questão: os problemas que deverão ser enfrentados durante o tratamento. As altas taxas de mortalidade por infecções fúngicas indicam que as dificuldades enfrentadas são inúmeras. O Dr. Márcio Nucci considera como maior desafio no tratamento a identificação precoce das infecções fúngicas para poder tratá-las. O grande desafio é identificar quais são os outros fatores que, no caso, seria necessário eliminar para melhorar o prognóstico do paciente e, sem dúvida, fazer um diagnóstico precoce. Já para o Dr. Luis Fernando, o diagnóstico, principalmente em infecções invasivas por Candida, seria o primeiro desafio, além disso, ainda há uma taxa de mortalidade extremamente elevada e quase que proibitiva para estas micoses invasivas.
A necessidade de preparo por parte dos profissionais é mais um ponto preocupante. Como dispúnhamos poucas drogas, acho que o conhecimento era razoável, mas agora os profissionais terão que se atualizar com as novas perspectivas de tratamento, diz Dr. Luis Fernando. Dr. Nucci completa: Acho que os profissionais não estão preparados para afrontar todos esses problemas. Estamos trabalhando bastante na esfera de educação continuada e tenho feito muitas palestras pelo Brasil. Graças ao surgimento de novas drogas e ao investimento que a indústria farmacêutica faz em educação continuada, identificamos que nos últimos anos houve, também, um avanço muito grande no conhecimento que os médicos em geral têm sobre esses problemas.
A realização do evento deixa a expectativa de que os recentes avanços na terapêutica antifúngica apresentados e discutidos durante os dois dias de Infocus auxiliem os médicos para que um número cada vez mais significativo de pacientes seja beneficiado no ambiente hospitalar.
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