Sobre os Transplantes


A sobrevida de um ser humano graças à reposição de um de seus órgãos, por um órgão proveniente de um outro indivíduo morto ou vivo, representa a mais exaltante epopéia da medicina dos últimos tempos. O primeiro transplante renal com sucesso ocorreu nos Estados Unidos em 1954 e logo o Brasil iniciou seu programa, em 1964, no Rio de Janeiro e em seguida em São Paulo. O primeiro transplante de coração no Brasil foi feito em 1968 pelo Prof. Zerbini (um ano antes, Dr. Barnard fizera na África do Sul o primeiro do mundo). Os primeiros de pâncreas, fígado e intestino foram realizados em 1968.

Depois de 1980 estes programas cresceram, graças aos novos medicamentos para evitar rejeição, e o Brasil é hoje o segundo país do mundo em número de transplantes – só perde para os Estados Unidos.

A população brasileira aceita bem o transplante e a doação de órgãos é autorizada por cerca de 60% das pessoas. Há cinco anos foi instituído o sistema nacional de transplantes em Brasília e uma central de captação em cada Estado. Estas centrais controlam todo o processo de captação de órgãos até a sua alocação, seguindo fila única em cada Estado. Todo o processo está regulamentado de maneira exemplar.

O transplante de órgãos e tecidos abriu um capítulo novo na história da raça humana, criando um homem novo, modificado em sua estrutura original: tolera uma parte de seu corpo que antes pertencia a um outro geneticamente diferente; constituindo um homem-quimera.

No início do século passado, os primeiros transplantes clínicos foram tentados em animais e depois no homem. A partir da metade do século, o entendimento do processo natural de rejeição do órgão transplantado e a descoberta de medicamentos para combater essa rejeição permitiram a crescente realização de transplantes com sucesso. Hoje, o transplante de órgão é uma rotina parte do tratamento médico especializado.

Para o futuro, é possível que órgãos possam ser clonados de uma célula do próprio indivíduo, evitando a possibilidade de rejeição. Parece mais próximo o uso de doadores não- humanos (por exemplo porco) como doadores de órgãos, hoje denominado xenotransplante.

A Mocidade Independente de Padre Miguel e seu carnavalesco Chico Spinosa acataram nossa sugestão e, baseados na fascinante história dos transplantes, conseguiram transformá-la em enredo, alegorias e alas durante o carnaval de 2003.


Dr. José Osmar Medina Pestana