> HOME
> Índice
> Componentes do
Grupo de
Consenso da SPI
> Introdução
> Epidemiologia
> Diagnóstico
Laboratorial
> Diagnóstico
Anatomopatológico
das Hepatites
Virais
> Tratamento da
Hepatite por VHC
> Terapia da Hepatite
C - Pacientes
Difíceis de Tratar
> Transplante
Hepático e Hepatite
por VHC
> Abordagem dos
Pacientes Co-Infectados por
VHC-HIV
> Referências
Bibliográficas
5. TRATAMENTO DA HEPATITE POR VHC
Aline Gonzalez Vigani, Rodrigo Nogueira Angerami, Fernando Lopes Gonçales Jr.
Grupo de Hepatites MI/FM/Unicamp.



a. Quem deve ser tratado

O tratamento está claramente indicado em:

Pacientes com hepatite C crônica com alto risco de progressão para cirrose:

• VHC - RNA detectável, ALT persistentemente aumentada e biópsia hepática demonstrando fibrose portal, independente do grau da atividade inflamatória.

• Pacientes com cirrose compensada.

• Considerar pacientes com história de abuso de substâncias – álcool e/ou drogas – e que apresentem condições de aderência ao tratamento.

O tratamento está menos claramente indicado em:

• Pacientes com alterações histólogicas leves (inflamação grau 1 sem evidência de fibrose), que têm baixo risco de progressão para cirrose (a maioria nunca desenvolverá doença hepática avançada) - seguimento com dosagem de ALT sérica periodicamente e biópsia hepática a cada três/cinco anos. Se a doença hepática progredir com o aparecimento de fibrose, o tratamento pode ser considerado. O acompanha-mento poderá ser feito através dos marcadores de fibrose desde que os dados com os mesmos
estejam mais consolidados.

• Pacientes com doença hepática leve que preferem tratar ou aqueles com manifestações extra-hepáticas significativas do VHC – o tratamento pode ser considerado. Os riscos e benefícios devem ser discutidos com cada paciente.

• Pacientes com ALT normal – poderão ser submetidos à biópsia hepática, desde que apresentem qualquer alteração que possa evidenciar a presença de doença hepática: hepatomegalia, pancitopenia, plaquetopenia, leucopenia, ultra-sonografia com evidência de doença hepática crônica ou esteatose, bem como o tempo de infecção prolongado. O paciente deverá ser tratado se apresentar fibrose portal.

• Pacientes transplantados (exceto de fígado).

b. Quem não deve ser tratado

• Pacientes com doenças extra-hepáticas não controláveis (ex.: angina grave, DPOC grave)

• Pacientes que apresentem cirrose clinicamente descompensada

• Pacientes com desordens auto-imunes não controladas

• Mulheres grávidas ou que estejam amamentando

• Pacientes que se recusem a fazer de uso de método contraceptivo durante o tratamento e até seis
meses após a interrupção da ribavirina

• Pacientes não-aderentes

• Pacientes com doença psiquiátrica grave não controlada, particularmente depressão com ideação suicida

• Usuários de drogas e/ou alcoólatras ativos e dependentes

• Paciente com quadro convulsivo não controlado

• Pacientes que apresentem plaquetas < 70.000/mm3 ou neutrófilos < 1000/mm3 ou hemoglobina < 10 g/dl

c. Terapia mais efetiva

• Terapia combinada de interferon (convencional ou peginterferon) associado à ribavirina.

• Peginterferon associado à ribavirina é mais efetivo do que interferon convencional associado à ribavirina e do que o peginterferon isoladamente.

• Em todos os tratamentos onde estiver indicada a monoterapia utilizar o peginterferon pela maior efetividade.

Tempo e esquema de tratamento

• Genótipos 1, 4 e 5:48 semanas – com peginterferon (uma vez por semana) + ribavirina (10,6 mg/kg/dia)

• Genótipos 2 ou 3:24 semanas – com interferon convencional (três vezes por semana) + ribavirina
(10,6 mg/kg/dia)

• Considerar o valor preditivo de VHC – PCR na 12ª semana ou 24ª - em não havendo negativação ou
queda de 2 log do exame quantitativo inicial – o tratamento poderá ser suspenso.





d. Tratamento da hepatite C aguda

Segundo dados apresentados no National Institutes of Health (NIH) em junho de 2002, há, aproximadamente, 3,9 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C nos EUA, sendo 2,7 milhões de infecções crônicas e 35.000 infecções agudas por ano.

• A hepatite C aguda geralmente é assintomática ou subclínica;

• HCV-RNA pode ser detectado uma/três semanas após a exposição e geralmente também está presente no início dos sintomas;

• Anticorpos (anti-HCV) são detectáveis em 50%-70% dos pacientes sintomáticos e, em 90% deles, três meses após a infecção;

• A alanina aminotransferase (ALT) encontra-se elevada duas/oito semanas após a exposição;

• Não há testes específicos para diferenciar infecção aguda de reativação.

Recomenda-se, então, frente a um caso suspeito de hepatite aguda pelo vírus C:

• Colher PCR-RNA-HCV uma/três semanas após a exposição;

• Considerar biópsia hepática para diferenciação entre quadro agudo, crônico ou crônica agudizada;

• Iniciar tratamento dois/três meses após infecção quando não houver clearance viral espontâneo;

• Follow up: PCR-RNA-HCV 24 semanas após tratamento;

• Serão necessários estudos randomizados e controlados para melhor definição do esquema e tempo de tratamento ideais.