Novidades Terapêuticas
na Abordagem de Pacientes Graves


Por Flávia Lo Bello


ft knobel
Prof. Dr. Elias Knobel


Aconteceu entre os dias 25 e 28 de junho, em São Paulo, SP, o 2º Simpósio Internacional de Terapia Intensiva para a América Latina (2nd International Symposium on Intensive Care and Emergency Medicine for Latin America), evento que teve por objetivo divulgar aos congressistas latino-americanos informações científicas para o aprofundamento de temas relevantes da medicina intensiva, abordando as mais recentes descobertas para tratamentos de doenças como septicemia, choque e insuficiência cardíaca, temas de destaque do Simpósio.

Realizado no Brasil por meio da parceria entre o Prof. Dr. Elias Knobel, médico-chefe do Centro de Terapia Intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein e o Professor Jean-Louis Vincent, chefe da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Erasme-Universidade Livre de Bruxelas/Bélgica, a principal característica do evento é a qualidade científica dos participantes – os palestrantes são escolhidos de acordo com sua produção científica, reunindo, além de grandes nomes da área de terapia intensiva, coordenadores de UTI de toda a América Latina. Participaram do evento, além de médicos intensivistas, cardiologistas, clínicos, pneumologistas, cirurgiões, infectologistas, traumatologistas e outros profissionais. Houve a presença de 20 palestrantes internacionais (EUA, Europa e América Latina), 70 nacionais, e mais de 750 congressistas. Cento e vinte e nove pôsteres científicos foram apresentados, os quais foram publicados na revista Critical Care forum, de distribuição internacional. “Esse simpósio segue o modelo do congresso realizado na Bélgica, que é o maior congresso de terapia intensiva realizado no mundo. Tivemos o critério de selecionar os palestrantes apenas pela sua produção científica e não por qualquer outro critério”, ressaltou o presidente do Simpósio.

Segundo o especialista, participar de um evento como esse é muito importante para o médico que mora no Brasil, porque isso torna freqüentemente desnecessário que o profissional saia do país para se atualizar no exterior. “Profissionais do exterior vêm até aqui transmitir o conhecimento mais atualizado, e isso é importante para o Brasil, pois quando trazemos os especialistas de outros países para cá, mostramos o padrão da medicina intensiva que é exercido no país, e nesse aspecto o Brasil está inserido em um padrão de Primeiro Mundo”, afirma.

PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA

Temas gerais de terapia intensiva, doenças cardíacas em pacientes graves, doenças neurológicas, monitorização cardiovascular, distúrbios de coagulação, distúrbios respiratórios, ventilação mecânica, lesões pulmonares, infecções, choque séptico, trauma e novos medicamentos, foram alguns dos assuntos abordados na programação científica do Simpósio. “Tudo o que possa vir a acontecer com um paciente grave, como problemas clínicos, cirúrgicos, circulatórios, cardíacos, foi enfocado nesses quatro dias de evento”, esclarece Dr. Knobel.


ft knobel
O simpósio-satélite da Pfizer/Pharmacia,
coordenado pelo Dr. Luiz Fernando C. Aranha
(à dir.), contou com a presença do Dr. Michael S.
Niederman e do Dr. Jorge Amarante (à esq.).


Além de fóruns, conferências e mesas-redondas, foram apresentados durante o evento simpósios-satélites, entre os quais “Abordagem e Manejo das Pneumonias Hospitalares”, da Pfizer/Pharmacia, coordenado pelo infectologista Dr. Luiz Fernando C. Aranha. O simpósio contou com a presença do médico americano Dr. Michael S. Niederman, que realizou a palestra: Abordagem da Pneumonia Hospitalar/Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica, e ainda do infectologista Dr. Jorge Amarante, cujo tema abordado foi Oxazolidinonas: Nova opção no tratamento das infecções nosocomiais (perfil da linezolida). Outro simpósio realizado foi o da Abbott, que discutiu o tema “Insuficiência Cardíaca Descompensada”, abordando o medicamento levosimendan. Coordenado pelo Dr. Knobel, o simpósio teve os seguintes palestrantes: Dr. Alexandre Mebazaa (Mechanism of action and clinical studies/ICU experience – case studies); Dr. Sergio Perrone (Latin American experience) e Dr. Antonio Barreto (Brazilian experience – Belief study).


ft knobel
O Dr. Knobel foi o coordenador do
simpósio-satélite da Abbott sobre
Insuficiência Cardíaca Descompensada.


Também o laboratório Eli Lilly do Brasil apresentou o simpósio “Severe Sepsis: Recombinant Activated Protein Cand Reduction of Mortality and Organic Disfunction Rates”, sob coordenação do Dr. Knobel. Os participantes do evento foram o Dr. Eliézer Silva (Evidence based sepsis treatment/Interactive clinical case discussions); Dr. Edward Abraham (PROWESS – Short and long term data) e Dr. Rubens Costa Filho (Interactive clinical case discussions). Houve ainda a apresentação de um workshop do Novo Nordisk Farm. do Brasil: “How to improve bleeding management?”, que contou com a participação do Dr. Rubens Costa Filho; Dr. Maureem McCunn (Management of severe bleeding in trauma and general surgery) e Dr. Michael Diringer (Advanced in the Management of cerebral hemorrhage).

DESTAQUES

A sepse foi um dos temas de destaque da programação. Nos EUA, são registrados por ano 750 mil novos casos de septicemia. No Brasil, não há estatísticas oficiais da incidência da doença na população. Em 2002, um estudo coordenado pelo Centro de Terapia Intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, que abrangeu várias UTIs brasileiras, constatou que a taxa de ocorrência da septicemia nos pacientes internados foi de aproximadamente 25%. “Em paciente com choque séptico, a mortalidade chega a 60%, e há uma redução significativa com o uso de proteína C ativada, o uso de novos antibióticos e novos recursos tecnológicos”, ressalta o presidente do Simpósio.

Recentemente, um medicamento já liberado para uso no Brasil mostrou-se eficaz na redução da taxa de mortalidade da septicemia. Trata-se da drotrecogina alfa (ativada). As pesquisas realizadas com a substância mostraram redução do risco relativo de morte em até 20% para septicemia. Durante o evento, foi apresentado o Consenso Brasileiro de Sepse, coordenado pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira. O documento aponta todas as evidências disponíveis na literatura sobre o tema, desde diagnóstico, prevenção e tratamento.

Outro assunto bastante abordado foi a insuficiência cardíaca, uma doença muito prevalente no país. Entre as principais causas destacam-se doença coronária, hipertensão arterial não controlada, doença de Chagas, entre outras. Quando o paciente apresenta piora abrupta do quadro clínico, necessitando de internação em UTI, tanto a taxa de mortalidade quanto o tempo de internação são elevados. Experiências com o novo medicamento para o tratamento da doença, o levosimendan, indicaram melhora na função cardíaca dos pacientes, além de redução na taxa de mortalidade e no tempo de permanência na unidade de terapia intensiva dos hospitais.