Workshop Internacional de Microbiologia
Diagnóstica: NCCLS 2003
Dra. Flávia Rossi
Diretora Médica do Laboratório de Microbiologia do HC-FMUSP.

Dra. Flávia Rossi e Dra. Janet Hindler |
Foi realizado no último dia 9 de agosto, em São Paulo, evento anual relacionado à Microbiologia Diagnóstica que contou com uma participação expressiva de 380 microbiologistas e infectologistas de diferentes Estados brasileiros. O evento foi organizado pela equipe do HC/FMUSP em parceria com a MD consultoria (www.saudetotal.com/microbiologia), sob minha coordenação.
A Dra. Janet Hindler, membro do comitê NCCLS (National Committee of Laboratory Standards) e consultora do CDC (Center of Disease Control - USA) e UCLA discutiu os temas relacionados à padronização americana N.C.C.L.S que foram modificados em 2003 e apresentou novas recomendações na divulgação de dados de sensibilidade pelos laboratórios para fins epidemiológicos. A incorporação destas técnicas na rotina microbiológica diária permite detectar e acompanhar resistências emergentes nos diferentes patógenos e que passam a demandar novas abordagens terapêuticas. Trabalhos recentes na literatura demonstram que a escolha do antibiótico adequado precocemente possui um impacto marcante na mortalidade direta, logo as adoções destes protocolos podem ser determinantes na evolução clínica de pacientes infectados.
Diversas especialidades médicas trabalham com a possibilidade de eventos infecciosos. Apesar do avanço tecnológico médico, as infecções bacterianas e fúngicas continuam a ser um desafio constante na prática clínica. Um dos principais problemas que enfrentamos é a resistência crescente nas espécies bacterianas e fúngicas, o que limita o uso de antibióticos e drogas antifúngicas de forma empírica e demanda cada vez mais dados locais, de qualidade, para orientar o uso racional de drogas em diferentes situações clínicas.
O teste de sensibilidade in vitro pode orientar terapêuticas mais adequadas, porém seu valor preditivo negativo (VPN) é reconhecidamente maior do que o valor preditivo positivo (VPP). O painel de drogas testado deve obedecer à padronização recente e ser comunicado nos laudos. O Brasil ainda não possui padronização microbiológica oficialmente adotada, o que pode acarretar problemas de interpretação nos dados gerados.
A complexidade de mecanismos de resistência e sua identificação laboratorial exige dos profissionais ligados à Microbiologia Clínica atualização constante e adaptações técnicas que possibilitem uma maior correlação clínico-laboratorial.
No período da tarde, a Dra. Gisele Duboc (Coordenadora Médica do Laboratório de Microbiologia do HC/FMUSP), juntamente com a Dra. Márcia Melhem (Diretora do I. Parasitologia - IALSP), apresentou os problemas atuais relacionados com a resistência fúngica, novas drogas e abordagem laboratorial na realização dos antifungigramas.
Como diretora médica do Laboratório de Microbiologia do HC/ FMUSP, apresentei um tema relacionado à interpretação do antibiograma e o problema da detecção laboratorial das beta-lactamases, seguida de sessão interativa de casos clínicos.
Os protocolos NCCLS só estão disponíveis em inglês, uma vez que o Brasil não possui autorização para traduzí-los, até o momento, sendo este fator uma barreira importante no aprendizado e na aplicação plena dos diferentes documentos. Os custos de aquisição dos documentos e das cepas de controle de qualidade necessários para aplicação das regras preconizadas são fatores limitantes na adoção integral destas medidas nos nossos laboratórios.
O Workshop proporcionou uma oportunidade para que cada vez mais o grupo brasileiro possa trabalhar de forma padronizada com benefícios diretos para os pacientes e políticas racionais de uso de antibióticos, além de estreitar contatos importantes de microbiologistas e infectologistas brasileiros.
Novos cursos já estão programados, inclusive com abordagem básica das padronizações NCCLS. Informações sobre cursos via Internet podem ser obtidas no site: www.saude total.com/microbiologia.
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Os internautas inscritos no boletim do CCIH do site www.ccih.med.br recebem em sua caixa postal notícias sobre prevenção e controle das infecções hospitalares e também podem escolher artigos que serão resumidos em nosso site a partir de textos das mais conceituadas publicações internacionais. Neste mês foram selecionados textos que debatem os temas abaixo.
Estudo questiona a qualidade da higiene das mãos dos profissionais de saúde a partir da manutenção da flora contaminante após a realização deste procedimento. Assim, além de se preocupar com a quantidade deste procedimento, devemos nos preocupar com a técnica adequada para permitir sua eficácia como medida básica de controle de infecção. No site está sendo debatida a participação dos pacientes e familiares estimulando os profissionais de saúde a realizarem a higiene das mãos. Um médico que acompanhou sua esposa durante uma internação faz uma crítica a esta proposta. Outro estudo avalia as melhores alternativas para melhorar a aderência dos médicos à lavagem das mãos.
Outro estudo emprega uma ferramenta para medir a carga de trabalho da enfermeira de controle de infecção. Além de poder ser empregado como ferramenta de benchmarking entre instituições, definindo as melhores práticas, possibilita uma melhor adequação do quadro, ao avaliar as principais atividades realizadas, qual sua participação relativa e reflexos das atividades educativas e de medidas específicas como o controle de multirresistentes. Em outro resumo são discutidos os critérios diagnósticos de infecção do sítio cirúrgico e as conseqüências desta falta de uniformidade na interpretação dos diferentes artigos sobre o tema e mesmo sobre nossa prática profissional. Questionário encaminhado a enfermeiras da Inglaterra consolida as práticas de esterilização e desinfecção naquele país. O guia EPIC para prevenção de infecção do trato urinário não recomenda anti-sepsia antes da passagem de uma sonda vesical. Isto é questionado em um artigo. Trabalhadores da higiene, lavanderia e outros setores de apoio são vítimas freqüentes de acidentes perfurocortantes, mas pouca ênfase é dada à prevenção destas intercorrências.
Endereço do boletim: http://www.ccih.med.br/boletim-indice.html
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Dr. Antonio Tadeu Fernandes
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