Novidades Recentes da Urologia Brasileira


Entrevista com o Prof. Dr. Eric Roger Wroclawski
Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (TiSBU). Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.
Professor de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC.


Por Luciana Rodriguez



Prof. Dr. Eric Roger Wroclawski


Desde que assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em 2001, o Prof. Dr. Eric Roger Wroclawski tem desenvolvido, junto aos membros da SBU, um planejamento direcionado à atualização científica, à valorização e a melhores condições de trabalho dos urologistas. Ao longo de sua gestão, uma série de iniciativas para o fortalecimento da SBU foi implantada juntamente com medidas para o desenvolvimento do urologista e da urologia brasileira. Algo que vem sendo feito desde as gestões anteriores que por deixarem uma boa estrutura permitiram a realização de novas ações.

As principais ações, desafios e a realização do 29º Congresso Brasileiro de Urologia são alguns dos destaques desta entrevista com o atual presidente da SBU.

O 29º Congresso Brasileiro de Urologia acontecerá de 25 a 30 de outubro em Foz do Iguaçu, Paraná. Mais informações sobre o congresso podem ser obtidas através do site www.congressodeurologia. org.br. Saiba mais informações sobre este evento e a SBU na íntegra desta entrevista.

Prática Hospitalar - Quais foram suas principais atitudes à frente da Sociedade Brasileira de Urologia?
Prof. Dr. Eric Roger Wroclawski - Ao longo desta administração tivemos ações direcionadas ao que chamamos “cinco braços da SBU”. Trabalhamos fortemente na parte de Educação Médica Continuada criando a Escola Superior de Urologia, que tem como missão instruir, certificar e qualificar. A Escola Superior de Urologia tem inúmeros cursos por todo o Brasil e com ela foi estabelecida uma integração muito grande das universidades com a SBU. O apoio das universidades é muito importante porque é nelas que fazemos as pesquisas, sendo que a SBU só funciona como um catalisador, um centralizador de informações e uma “distribuidora” que repassa estas informações.

No segundo ano de mandato, a maior preocupação, mas não a única, foi com a defesa profissional e o exercício da urologia. Trabalhamos muito com a Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina e a Comissão Nacional de Residência Médica e conseguimos aprovar uma portaria com o registro de que a Urologia não tem subáreas de atuação; assim, o urologista TiSBU (urologista titular da SBU), faz uma prova para obtenção do Título de Especialista e pode exercer a urologia em toda a sua plenitude: aparelho geniturinário masculino, aparelho urinário feminino e as doenças cirúrgicas da supra-renal em todas as idades. O urologista TiSBU pode fazer todos os aspectos da urologia, porque ele é qualificado pela AMB e pela SBU através do TiSBU para fazer toda a extensão da urologia, desde que ele esteja tecnicamente preparado para fazer isso.

Estivemos em Brasília junto com a Comissão Nacional de Residência e conseguimos uma outra grande valorização da SBU. A partir do semestre passado, sempre que a Comissão Nacional de Residência Médica, que é o órgão ministerial que cuida da residência, for vistoriar uma residência que tenha urologia, eles contatarão a SBU e ela também passará a vistoriar. Foi estabelecido um projeto de aproximação entre a maneira de trabalhar da SBU e da CNRM, de maneira a uniformizar critérios e padrões de aprovação e manutenção dos programas de residência já abertos. Solicitamos, também, e isso está sendo estudado, o aumento da residência de urologia de dois para três anos. Fizemos uma apresentação, em Brasília, justificando por que a residência de urologia deve ser de três anos e não mais de dois. Isso ainda está em estudo e esperamos que em breve tenhamos uma resposta positiva.

P. H. - O que foi feito para que houvesse um estreitamento entre o urologista e a SBU?
Dr. Eric - A SBU criou muitos veículos de comunicação para o urologista se sentir amparado. Criamos o Jornal Brasileiro de Urologia, que está em processo final de indexação em bancos de dados internacionais e, por isso, desde que foi traduzido para o inglês, ele se encontra em inglês na Internet, e desde que isso ocorreu, ele passou a ser acessado mundialmente - no último mês tivemos mais de nove mil acessos, dos quais 80% em nível internacional. Temos ainda para comunicação com nosso associado a Urologia Contemporânea, que é uma revista de Educação Médica Continuada que já existe há seis anos, e que está sendo incorporada à SBU, pois pertencia a outro setor. Temos também o Boletim on line da Urologia, no qual mandamos informações e transformamos sua home page em um portal. Nesse portal disponibilizamos resumos mensais ou bimestrais. Temos, enfim, várias maneiras de nos comunicarmos com o associado.

Tivemos um Programa de Estudo Dirigido em que conseguimos disponibilizar o guia de estudos de um livro chamado Campbels Urologys. Traduzimos para o português e montamos seis fascículos, que enviamos mensalmente para os urologistas. Criamos também um programa de Atualização do Título de Especialista, cuja atualização ocorre a cada cinco anos. Este é um programa tão sério e bem-feito que a AMB escolheu recentemente algumas sociedades para trabalhar junto a ela. A SBU foi uma das escolhidas pela experiência que tem devido a este projeto que está em andamento de atualização do TiSBU.

P. H. - Quais têm sido os objetivos primordiais da SBU?
Dr. Eric - O objetivo primordial da SBU tem sido expandir, zelar, divulgar, discutir e incentivar em todos os níveis a urologia brasileira, promovendo a união, o intercâmbio e evolução técnico-científica de todos os seus membros, com entidades e pessoas, tanto no âmbito nacional quanto internacional, incluindo a defesa de interesses socioeconômicos dos associados. Além disso, a SBU tem reconhecido seus especialistas e outorgado os certificados de acordo com as normas da Associação Médica Brasileira. Isto está no estatuto e a SBU tem feito exatamente o que o estatuto determina ser o papel da entidade.

Em poucas ocasiões se viu tanta gente trabalhando pela SBU. Essa não é uma gestão de uma única pessoa e sim um processo de gerenciamento coletivo. Diversas pessoas, cada uma exercendo o seu papel, fizeram a SBU caminhar na direção dos seus objetivos. Cada um faz uma parte e tem proveito do todo, esta é a grande filosofia da SBU. Felizmente, temos na SBU uma quantidade muito grande de médicos competentes e dedicados à SBU, tentando com que ela atinja suas finalidades.

P. H. - Quais têm sido os principais desafios enfrentados pela SBU?
Dr. Eric - Talvez o grande desafio tenha sido buscar construir uma estrutura administrativa sólida, de maneira que os próximos presidentes encontrem cada vez mais facilidade e rapidez para complementarem com suas idéias, dentro de uma estrutura administrativa já bem organizada.

Estamos deixando a sede muito bem montada, contratamos, inclusive, uma empresa de auditoria e de treinamento para identificar quais são nossas deficiências e para promovermos um retreinamento dos funcionários, uma eventual mudança de alguns setores, uma reorganização funcional para deixarmos uma estrutura ainda melhor para as gestões que nos sucederem.

P. H. - Quais serão os principais temas abordados no 29º Congresso Brasileiro de Urologia?
Dr. Eric - Iremos abordar a urologia em quase toda sua extensão. Vamos analisar principalmente o tema do congresso, Novas Tendências em Urologia, debatendo as tendências que estamos vivendo e a direção em que estamos caminhando. Abriremos um grande espaço de interação entre a platéia e os palestrantes para discutirmos sobre o que já veio e é considerado incorporado, o que veio, mas rapidamente irá embora, e o que veio e ainda precisa ser melhor analisado para sabermos se vale a pena ficar ou não.

Atualmente, esta modernização da medicina passa por um alto custo. Muito do que surge de novidade na medicina está acompanhado de um preço que o torna inviável. Acredito que devemos sempre conversar com o paciente sobre o que é melhor para ele. Temos que, ao utilizar uma droga, analisar em que situações elas devem ser aplicadas e em quem elas devem ser aplicadas. A medicina de hoje não consiste em algo que foi inventado e que vamos simplesmente comprar e disponibilizar. Uma atitude como esta quebraria o Sistema de Saúde, tanto privado quanto governamental.

P. H. - Haverá alguma modificação em relação às versões anteriores deste evento?
Dr. Eric - Sim. Este congresso será um evento temático. No sábado acontecerão os simpósios internacionais. Convidamos várias sociedades internacionais, que mandarão seus representantes. No domingo será um dia inteiro dedicado à próstata. Na segunda-feira o enfoque será bexiga, na terça-feira será rim, ureteres e glândula supra-renal e, na quarta-feira, o aparelho genital. Na quinta-feira discutiremos os rumos da urologia, da medicina, do urologista e da SBU. Será uma manhã de reflexão, uma vez que não queremos só atender mecanicamente nossos pacientes, precisamos também refletir quem somos, para onde vamos, o que fazemos e por que fazemos. Nesse dia, teremos a presença de políticos, de membros do ministério, do presidente da Associação Médica Brasileira, dentre outras autoridades.

P. H. - Qual a expectativa de público presente nesse evento?
Dr. Eric - O evento terá um público em torno de 2.600 congressistas, cerca de 700 acompanhantes inscritos e aproximadamente 1.000 expositores. Temos uma expectativa, também, da presença de 450 especialistas de outros países.

P. H. - Qual a sua mensagem aos urologistas que estarão participando desse evento?
Dr. Eric - Toda a diretoria da SBU e todo o comitê organizador não têm medido esforços para fazer um congresso à altura das tradições da SBU, de modo muito atraente do ponto de vista científico e muito agradável do ponto de vista social, porque o congresso também tem por finalidade o congraçamento, o encontro de amigos para melhorar suas aptidões técnico-científicas e, com isso, poder tratar melhor seu paciente.

Desejo muito boa sorte à gestão que assumirá a presidência da SBU no dia 30 de outubro. Trabalhamos em um planejamento durante quatro anos, como havíamos prometido. Esperamos que o próximo presidente também esteja integrado nesta filosofia de fazer uma SBU cada vez mais forte, cada vez mais de todos, não com uma filosofia de continuismo, porque cada um entra e sai, mas com uma filosofia de continuidade filosófica e de idéias, sempre visando o bem-estar do urologista e da urologia brasileira.