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Dr. Hélio Vasconcellos Lopes
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Programas e Retrocessos em Nossa Medicina
Entramos em 2004 com nítidas contradições na nossa Medicina, a Medicina brasileira. Progressos, sim, diversos. Um deles é o crescente desenvolvimento dos medicamentos genéricos; vemos, hoje em dia, farmácias quase que se “especializando” na comercialização desse tipo de medicamentos. Essa tendência constitui, de fato, um avanço; é necessário, porém, que o Ministério da Saúde mantenha - com rigor - o controle de qualidade desses medicamentos.
O acréscimo de dois novos anti-retrovirais à lista de medicamentos oferecidos gratuitamente pelo governo também representa um significativo progresso: a indicação precisa dessas novas drogas de grande potência contribuirá para reduzir o risco de falha terapêutica e ajudar na montagem de novos e vantajosos esquemas de resgate.
Outro progresso pode ser constatado na ação governamental, lenta mas produtiva, que vem reduzindo as incoerências, os abusos praticados pelos detentores dos planos de saúde; a recente redução da desproporção entre o valor pago pelos mais jovens e aquele pago pelos indivíduos com mais de 60 anos de idade aponta na direção de uma reforma mais justa.
Entretanto, nem tudo são flores, temos também os nossos espinhos (do compositor Nelson Cavaquinho, lembram-se?) e devemos admitir a existência de retrocesso em algumas áreas de nossa Medicina. Vejam o SUS, plano médico governamental para todos os brasileiros: será que o valor da consulta é que atrapalha? Será que é o estímulo à corrupção, possibilitado pelas brechas ainda existentes nesse Sistema? Mas penso que, no fundo, o que atrapalha mesmo é a “cultura”, implantada entre nós, segundo a qual há brasileiros mais brasileiros do que outros, situados dos dois lados do SUS.
E a suspensão das atividades ambulatoriais do Hospital das Clínicas de São Paulo? Por quê e como? Ora, a explicação é cristalina: todos (os que podem) vão ao HC para um atendimento ambulatorial de emergência, isto é, para serem atendidos no momento da necessidade, independentemente da gravidade de sua doença, às vezes apenas para trocar uma receita de medicamento controlado. Por que não ir aos postos e ambulatórios de saúde, as unidades básicas, espalhados por toda a cidade de São Paulo? Ora, ora, é simplesmente porque o atendimento primário nesses locais, na maioria das vezes, não é feito da forma mais adequada, com excesso de exames e de encaminhamentos desnecessários.
E por que os postos e ambulatórios, municipais, estaduais e federais não funcionam a contento? Entre diversas razões dessa distorção (condições precárias de trabalho, problemas de transporte, insegurança e salário aviltante - ou ridículo, escolham) também deve ser destacada a falta de uma carreira médica, resultando na existência de médicos ganhando o mesmo salário dos que começaram ontem, mesmo após décadas (sim, décadas) de trabalho. E o “quebra-galho” dos contratos temporários e precários de trabalho, denominados 733: contratos de um ano, sem direito a férias e a décimo terceiro salário. Na Inglaterra dizem: “que Deus salve a rainha”. Aqui... não sei!
Dr. Hélio Vasconcellos Lopes |