Dr. Roberto de Almeida Gil
Câncer de Pulmão:
Inimigo a Ser Enfrentado



A I Conferência Latino-Americana de Câncer de Pulmão, ocorrida em março de 2004, no Guarujá, em São Paulo, reuniu especialistas de diferentes áreas: cirurgia, radioterapia, oncologia clínica, pneumologia e epidemiologia e de diferentes países, permitindo grande troca de informações e profundas reflexões que abrem caminhos para adoção de condutas visando reduzir as taxas de incidência e mortalidade. Por ser neoplasia de evolução fatal, as curvas de incidência e de mortalidade do câncer de pulmão são, na atualidade, praticamente equivalentes. Esforços para redução dessas taxas terão impacto, tanto maior quanto maior forem as conquistas na prevenção e no tratamento das doenças causadas pelo tabagismo, como demonstrado, de maneira brilhante, pela Dra. Natasha Herrera durante o evento (veja gráfico abaixo).





O câncer de pulmão aparece como uma das neoplasias mais freqüentes em todo o mundo e, no Brasil, é a principal causa de mortalidade por câncer. O hábito de fumar é responsável por mais de 80% dos casos de câncer de pulmão entre os homens e por mais de 45% entre as mulheres. Nos últimos 10 anos, dados do Ministério da Saúde mostram que a doença cresceu 57% entre os homens e, assustadores, 122% entre as mulheres brasileiras. Porto Alegre, São Paulo e Brasília são as cidades com as maiores taxas médias anuais de incidência de câncer de pulmão, ajustadas por idade, no Brasil.

Vivemos em nosso país um paradoxo, pois estamos entre os dois maiores produtores e exportadores de tabaco do mundo e, ao mesmo tempo, temos sido exemplares no combate ao fumo com o estabelecimento de um programa nacional de controle ao tabagismo reconhecido entre os melhores do mundo e que permitiu uma redução de 38% no consumo per capita de cigarros.

A SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) tem entre as suas prioridades a luta antitabagismo e participa no esforço coletivo pela aprovação da Convenção-Quadro para controle do tabaco no Brasil. A intenção é criar uma rede de parcerias desenvolvendo um movimento de pressão social que apóie medidas de controle do tabagismo.

No evento do Guarujá foram apresentadas recentes conquistas no campo da biologia molecular, da cirurgia e da radioterapia. Foram discutidos os novos caminhos para o tratamento sistêmico do câncer de pulmão, com destaque para os estudos envolvendo novas drogas como o premetrexate (Alimta®) para tratamento de mesotelioma e 2ª linha no câncer epitelial não-pequenas células, e o gefitinibe (Iressa™) substância bloqueadora da atividade de tirosina quinase no tratamento do câncer de pulmão não-pequenas células, refratário a quimioterapia, que mostrou bons resultados particularmente em mulheres, com adenocarcinoma e não-tabagistas.

Baseados no trabalho do IALT, apresentado no último congresso da ASCO, em 2003, que mostrou aumento, estatisticamente significativo, com a quimioterapia adjuvante (baseada em platina) nos tumores de pulmão não-pequenas células, houve estímulo para desenvolvimento de novos ensaios clínicos com esquemas mais efetivos que possam melhorar as curvas de sobrevida desta terrível doença.

A SBOC, uma das patrocinadoras do evento junto com a ASCO, IASLC e a Unesp, se sentiu gratificada com o sucesso da conferência e com a certeza de ter contribuído para a luta contra o câncer de pulmão.


Dr. Roberto de Almeida Gil