Novamente o Brasil irá sediar o Congresso da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia, evento que acontece a cada dois anos no país e que tem por objetivo discutir as últimas pesquisas e as técnicas mais avançadas do tratamento do câncer. Uma novidade para este ano é a realização do curso “Femmes et Cancers”, que irá abordar o tratamento dos diversos tipos de cânceres femininos, entre os quais câncer de mama, útero e ovário. Enfocando os aspectos práticos da oncologia, câncer de pulmão, próstata, linfomas e leucemias, melanoma, cabeça e pescoço, entre outros, fazem parte dos temas de destaque do evento.
A Prática Hospitalar entrevistou a oncologista clínica e presidente da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia, Dra. Carla Ismael, que conta com mais detalhes como será o III Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia, a ser realizado no Rio de Janeiro, RJ, entre os dias 25 e 27 de novembro de 2004.
Prática Hospitalar - Qual a importância do III Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia ser realizado no Brasil?
Dra. Carla Ismael - A importância de esse evento ser realizado no Brasil é podermos cada vez mais aproximar a oncologia européia, notadamente a francesa, dos médicos oncologistas brasileiros. Este Congresso é realizado a cada dois anos no Brasil (o último foi em 2002) e esperamos que se torne uma tradição reunir médicos brasileiros e europeus com o objetivo de discutir as últimas pesquisas e as técnicas mais avançadas do tratamento do câncer. A França é líder na pesquisa de terapias oncológicas e o Institut Gustave Roussy, que tem em torno de 500 publicações internacionais por ano, é nosso grande parceiro no Congresso e na Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia.
P. H. - Qual a sua expectativa para este terceiro Congresso?
Dra. Carla - Pretendemos reunir um número ainda maior do que tivemos há dois anos de especialistas na área do câncer, entre oncologistas clínicos, radioterapeutas e cirurgiões.
P. H. - Serão realizados outros eventos em paralelo ao Congresso?
Dra. Carla - Junto com o III Congresso estamos criando uma grande novidade, um curso de oncologia chamado “Femmes et Cancers” sobre os tipos de cânceres femininos, como útero, ovário e mama. Este curso terá duração de cinco dias, reunindo todas as especialidades ligadas ao tratamento dessas doenças (patologia, imagenologia, cirurgia, radioterapia, braquiterapia, quimioterapia, hormonioterapia). A idéia foi criar um workshop interativo com discussão de casos práticos concretizando as aulas teóricas. Dentro do III Congresso também faremos a II Jornada de Radioterapia, que deve abordar todas as novas técnicas da radioterapia e como mudar os padrões de tratamento em função das novas técnicas de estadiamento.
P. H. - Que outros objetivos o evento pretende alcançar?
Dra. Carla - Acreditamos que o curso “Femmes et Cancers”, que traz o conceito de acreditação científica (CME), realizado conjuntamente com o III Congresso Franco-Brasileiro, dará ainda maior consistência ao evento. Dessa forma, pretendemos aumentar a ligação científica na área da oncologia entre o Brasil e a Europa, particularmente a França, buscando alternativas aos tratamentos desenvolvidos nos EUA.
P. H. - Como a Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia vem se destacando desde que foi criada?
Dra. Carla - Desde que foi criada, a Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia conseguiu se destacar por despertar a curiosidade dos oncologistas brasileiros para a oncologia européia, por poder trazer para o fórum brasileiro grandes nomes em diversas áreas da oncologia de língua francesa. Tivemos por três vezes a chance de levar diversos grupos de cancerologistas brasileiros para participar das atividades científicas dos maiores centros de oncologia da França, o Institut Gustave Roussy, em Paris (o maior centro de oncologia da Europa) e o Centro Antoine Lacassagne, em Nice (melhor centro de oncologia da França). Conseguimos, também, abrir espaço para que mais brasileiros façam estágios e residências nesses hospitais.
P. H. - Quantos convidados internacionais irão se apresentar no Congresso?
Dra. Carla - Teremos este ano 50 palestrantes franceses e uma belga, tornando o Congresso uma experiência única, já que é raro ter em um só evento brasileiro tantas personalidades com alto nível científico e experiência institucional reconhecida através de várias publicações.
P. H. - Quais especialidades, além da oncologia, o evento espera receber?
Dra. Carla - Além da oncologia, o Congresso terá uma sessão da Sociedade Brasileira de Mastologia, que é nossa parceira e cuja especialidade está extremamente ligada à detecção e ao tratamento oncológico do câncer de mama. Teremos ainda hematologistas, ginecologistas, radiologistas e patologistas.
P. H. - Qual o enfoque central do Congresso e a que ele se propõe?
Dra. Carla - O Congresso é focalizado nos aspectos práticos da oncologia. Falaremos sobre como devem ser os padrões dos tratamentos em 2004 e iremos mostrar quais são as novas direções e perspectivas futuras da oncologia.
P. H. - Quais os temas de destaque do evento e o que será abordado sobre eles?
Dra. Carla - Os temas escolhidos foram Câncer de Mama, Cânceres Digestivos, Pulmão, Próstata, Linfomas e Leucemias, Melanoma, Cabeça e Pescoço. Dentro dessas especialidades, novos medicamentos específicos para cada área serão abordados, mostrando que há esperança para a cura do câncer, com todas as novas possibilidades terapêuticas que se abrem neste novo século.
P. H. - Como tem evoluído a Oncologia Clínica no Brasil?
Dra. Carla - Temos aberto novos centros de tratamento do câncer em áreas distantes dos grandes centros urbanos; a formação do oncologista é cada vez mais complexa, com o estudo de diferentes abordagens, desde a clínica médica até as pesquisas laboratoriais. Temos um número crescente de especialistas e a formação com diversas visões, americana, francesa, italiana, é cada vez mais bem-vinda.
P. H. - A oncologia brasileira é comparável à oncologia dos países europeus?
Dra. Carla - A oncologia brasileira é comparável à dos países europeus na medida em que temos excelentes especialistas, renomados profissionais e, também, a nossa realidade financeira e de custeio do tratamento vêm nos aproximando bastante deles.