RESUMO
Em termos de saúde e bem-estar emocional humanos, essa enfermidade está tendo um elevado custo. Conforme é possível perceber, os trabalhadores da saúde em ambientes hospitalares tendem a acumular sofrimentos, cansaços, ansiedades, durante a jornada de trabalho, muitas vezes não identificando a causa. O presente trabalho destina-se a sugerir alternativas para conviver de forma saudável com o estresse, bem como minimizar a intensidade dos seus sintomas. A conscientização em relação à própria responsabilidade no processo de minimização do estresse tem sido uma proposta, já que não é possível eliminar esse aliado no ambiente hospitalar. Considerando a realidade atual, a qualidade de vida passa a significar um objetivo bastante sério a ser alcançado pelas pessoas que começam a compreender a importância da felicidade na manutenção de sua saúde, produtividade e potencial criativo. Constatou-se que o ambiente hospitalar é agente causador de estresse, resultante de situações enfrentadas no dia-a-dia pelo trabalhador da saúde.
Palavras-chave: estresse, qualidade de vida, enfrentamento do estresse
OBJETIVO
Propiciar um programa de manutenção de vida saudável aos trabalhadores da saúde em ambiente hospitalar, por meio de exercícios, dieta saudável, controlando o nível de estresse, promovendo qualidade de vida, saúde emocional e física.
METODOLOGIA
Promover a reflexão coletiva acerca da condição vivida em seu cotidiano de trabalho no ambiente hospitalar. Este programa visa à ampliação de propostas de minimização ou redução acerca da situação do estresse encontrado, para propiciar maior qualidade de vida, socialização e manutenção de vida saudável na perspectiva de que esse processo tivesse impacto na qualidade de vida, saúde física e emocional, já que não é possível eliminá-lo do ambiente hospitalar.
RESULTADOS DESTACADOS
Um exame de dados clínicos de saúde de diversos tipos de organização, no Estado de Tennessee, EUA, identificou dez trabalhos que acarretavam incidências mais altas de distúrbios de estresse, indicando uma forte ligação entre trabalho e o estresse,(1) são eles:
a) Técnicos da área de saúde*;
b) Garçonetes;
c) Enfermeiros ou enfermeiras, práticos;
d) Inspetores da linha de montagem;
e) Músicos;
f) Relações-públicas;
g) Técnicos de laboratórios clínicos;
h) Lavadores de louças;
i) Empregados de armazéns; e
j) Auxiliares de enfermagem
Observa-se que quatro das dez ocupações são da área de saúde e grande número dos trabalhos se constitui de ocupações em que predominam as mulheres. Estudos revelam que as mulheres possuem um percentual muito maior de distúrbios de estresse do que os homens.
Segundo Lunardi Filho (1995), “as condições de trabalho e a organização do trabalho podem contribuir significativamente ao prazer ou sofrimento no trabalho”. Cabe fazer uma análise da relação prazer, sofrimento e trabalho, buscando implicações do trabalho em si, de sua organização e das condições oferecidas para o trabalho na área da saúde em ambiente hospitalar. A relevância está em buscar identificação de fatores que, na prática e vivência do cotidiano, constituem causa de sofrimento e prazer no trabalho, podendo o conhecimento de tais fatores significar possibilidades de mudanças e repercussões positivas, tanto na vida do trabalhador da saúde como na vida daqueles com quem estabelecem relações e vínculos.
Se a pessoa conseguir reavaliar o que está causando o estresse e mudar o modo de encarar os problemas, poderá se recuperar. A seguir serão listadas sugestões para conviver com o estresse no intuito de minimizá-lo, já que não é possível eliminá-lo no ambiente hospitalar.
Alimentação
A alimentação deve ser um prazer; alimente-se com moderação e equilíbrio. Não é necessário ser vegetariano para ter boa saúde.
- procure manter seu peso;
- a ingesta deve ser variada, para que não faltem vitaminas e nutrientes;
- os alimentos devem estar na temperatura ideal, não muito quentes e nem muito frios;
- não restrinja seu cardápio a batata frita e sanduíches;
- pare de fumar e não abuse do álcool.
Sugestões para aliviar ansiedade
- descansar e tentar estabelece um período para interromper sua rotina diária. Tentar aliviar de maneira mais realista possível;
- manter-se ocupado, procurar um hobby, auxiliar numa instituição de caridade e manter os pensamentos ocupados;
- exercitar-se, caminhar, correr, nadar ou andar de bicicleta, fazer qualquer exercício que ajude a clarear os pensamentos;
- conversar com amigos, discutir problemas, incertezas e emoções com alguém de sua confiança;
- ouça música, leia livros, veja filme, saia para fazer compras ou algo que lhe proporcione experiências positivas;
- quanto à alimentação, deve-se procurar manter uma dieta apropriada para manter o seu corpo energético e sadio;
- fazer um diário, registrando os problemas que você percebe e como os sente no momento. Mais tarde, releia-o;
- relaxar, estabelecer um período para relaxar a mente e corpo. Pode concentrar-se em pensamentos e meditar.
- prática de técnicas especiais, como yoga, tai-chi-chuan, massagens e outros.
Movimento
- caminhadas diárias de pelo menos 40 minutos;
- qualquer esporte ou ginástica regular.
Os sintomas musculares do estresse incluem tensão muscular, que mantém os dentes cerrados ou rangendo, dores nas costas, dores de cabeça, sensação de peso nas pernas e braços.(6)
As caminhadas, além dos benefícios, como queimar calorias sem aumentar o apetite, reduzem a tensão, a ansiedade e a pressão arterial.(9)
A forma mais eficaz de neutralizar a reação ao estresse é através da atividade física. Está indicado nos casos de tensão muscular, apatia, distanciamento social e lombalgias. O papel da atividade física no controle do estresse intervém em três níveis: tratamento, prevenção e bem-estar.
Lazer
Cada pessoa precisa identificar o que lhe causa prazer e descontração e procurar fazê-lo com freqüência e ritmo adequados à sua situação.
A vida sob novo ângulo
- parar, pensar, interpretar possíveis alternativas ou significados de situações conflitantes;
- avaliar com isenção os motivos que os outros possam ter para comportamentos inadequados.
Sentido da vida
- encontrar motivação mesmo para ações cotidianas;
- desenvolver perspectivas para o futuro.
Ritmo biológico
- escutar o próprio corpo para identificar seus próprios ritmos;
- evitar frio ou calor intenso.
Insônia
Em relação a este aspecto, apresento sugestões para superar crises de insônia ocasionais, geralmente referidas, tais como:
- deitar apenas quando estiver com sono, evite rolar na cama para esperar o sono chegar;
- procurar deitar e levantar regularmente na mesma hora; procure não dormir durante o dia;
- não beber café, chocolate ou qualquer bebida como estimulante;
- não tomar álcool à noite, o álcool pode interferir com o ciclo do sono e pode fazer com que a pessoa tenha um ciclo mais superficial;
- evitar exercícios cardiovasculares antes de dormir, pois a produção de adrenalina neste tipo de exercício em geral deixa a pessoa com dificuldade em relaxar suficientemente para dormir;
- medicação para dormir pode ser útil como solução em curto prazo; porém seu uso prolongado pode ser perigoso e ineficiente;
- caso a insônia persistir por um período de 30 dias ou mais, e esteja interferindo no desempenho de suas funções, procurar ajuda de um profissional.
Controle e manifestação de emoções
- exercício, relaxamento e lazer, conforme já apontado;
- manifestar emoções através do choro pode ser uma forma fisiológica de redução do estresse.
Autocuidado
adotar perspectivas saudáveis em relação à manutenção da própria saúde, tais como moderação quanto aos hábitos em geral (fumo, álcool, alimentação, exercícios, repouso, etc.)
- apreender a identificar sinais de alarme, como cefaléia, tensão e enxaqueca freqüentes;
- identificar sinais da síndrome da tensão pré-menstrual, procurando estratégias de alívio, sejam medicamentosas ou não.
Alívio das dores
Algumas sugestões referidas na literatura para aliviar a dor são:
- aplicação quente com água de chuveiro, banheira ou bolsa;
- aplicação fria; indicado para aliviar a tensão dos músculos de pescoço ou das costas;
- pressão no músculo: pressionar uma bola de tênis entre a cadeira e o músculo dolorido;
- alongamento gradual: pode ser aliviado na posição oposta ao foco da dor;
- alinhamento de postura é importante para manter o corpo bem distribuído vertical e horizontalmente para não causar desequilíbrio. Procure mudar de posição com freqüência e mantenha os joelhos dobrados para aliviar a pressão nas costas;
- relaxar os músculos;
- planejar uma ação; elaborar um plano para resolver os problemas que estão sob seu controle.
Terapêutica adequada
Quando os sintomas e efeitos do estresse não podem ser contidos por estratégias já apontadas anteriormente, torna-se necessária a busca de terapêuticas:
- psicológica;
- clínica.
Muito freqüentemente, a ausência de condições organizacionais adequadas á realização do trabalho no ambiente hospitalar constitui um entrave, impedindo-o de obter satisfação ou prazer no trabalho.
Infelizmente, não é possível fugir das pressões do cotidiano. Porém, conhecendo o estresse e como evitá-lo, pode-se viver com mais qualidade. Deve-se orientar a prevenção com segurança e técnicas adequadas, para que sejam bem sucedidas na utilização do método em relação a cada indivíduo. Deve ser levado em conta que não é possível separar a vida familiar da vida no ambiente de trabalho; a conciliação entre as duas dimensões é fundamental na prevenção e controle das situações de estresse.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estresse, presente na maioria dos indivíduos, é um dos grandes responsáveis pela baixa qualidade de vida e infelicidade das pessoas. Conviver no cotidiano com pessoas de temperamentos diferentes torna-se um desafio à sobrevivência do modo de ser, de pensar e de manter o nosso bem-estar. O trabalho no ambiente hospitalar submete as pessoas ao estresse, freqüentemente crônico, e estamos submetidos a ele de forma contínua.
A educação continuada é um fator inicial que pode contribuir no desenvolvimento do autocuidado dos trabalhadores da saúde em ambiente hospitalar, reencontrando valores como a humanização, tão importante na valorização da vida e na construção da harmonia da sociedade, e, ainda, pode auxiliar na informação sobre modos de prevenção e tratamento sobre o estresse, pois os trabalhadores da saúde, em geral, não possuem informação adequada sobre o estresse e meios de prevenção educativa.
Esperamos que a partir das orientações destacadas você possa observar com mais cuidado os desafios propostos e apresentar, analisar, levantar indagações e abrir caminhos para uma compreensão abrangente sobre o que é ter saúde durante o trabalho no ambiente hospitalar, já que não é possível eliminá-lo no dia-a-dia.
As formas de expressão física e emocional do ser humano nem sempre são simples ou fáceis de serem compreendidas, porém são vitais para o entendimento e a resolução de problemas. Afinal, a vida já é repleta de atividades estressantes, e a proposta aqui é encontrar a harmonia de forma fácil e tranqüila. Espero que esse intuito tenha sido alcançado, e que as sementes lançadas encontrem terra fértil para que as pessoas mais felizes façam um planeta melhor.
REFERÊNCIAS
1. Albrecht K. O Gerente e o estresse - faça o estresse trabalhar para você. (Prefácio de Hans Selye). Rio de Janeiro: Zahar, 1988.
2. Congresso Brasileiro de Enfermagem, 1994, Porto Alegre. Qualidade de vida no trabalho: a busca de um trabalhador omnilateral. UFSC: Departamento de Enfermagem - Grupo de Práxis, Maria Tereza Leopardi, 1994.
3. Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1994
4. Gonçalves EL. A empresa e a saúde do trabalhador. São Paulo: Pioneira Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
5. Limongi F, Rodrigues AL. Stress e Trabalho: guia básico com abordagem psicossomática. São Paulo: Atlas, 1996.
6. Masci C. Estresse. 1997. Disponível em: <<http://www.regra.com.br/cyromasci/ texto04.htm>> Acesso em: 08 out. 2000.
7. Mendes R. Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Ed. Atheneu, 1995.
8. Nardi HC. Saúde, trabalho e discurso médico A relação médico-paciente e o conflito capital trabalho. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 1999.
9. Rossi AM. Autocontrole: nova maneira de controlar o estresse. 5ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 1994.
10. Vieira SI. Medicina básica do trabalho. Curitiba: Ed. Gênesis, 1995.
* O negrito itálico foi editado com a finalidade de evidenciar as profissões da saúde.