Os aspectos propedêuticos e terapêuticos mais relevantes e atuais dos principais tumores (mama, pulmão, cabeça e pescoço, estômago, cólon, tumores ginecológicos, linfomas e melanoma) serão os destaques do III Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia, que será realizado entre os dias 25 e 27 de novembro, no Rio de Janeiro, RJ. O evento dará ênfase aos avanços mais significativos e seu impacto no manejo dos pacientes oncológicos, contando com a experiência dos centros franceses e de seus profissionais.
Segundo o oncologista Prof. Dr. André Márcio Murad, que faz parte da comissão científica do Congresso, os critérios para a seleção dos temas abordados contemplaram a relevância epidemiológica e as novidades mais expressivas no campo diagnóstico e terapêutico dos principais tumores. “As questões práticas do manejo cotidiano dos pacientes oncológicos terão sempre uma maior ênfase”, diz o médico. Em sua opinião, o III Congresso Franco-Brasileiro tem uma importância expressiva para a oncologia, não só por seu conteúdo científico de altíssima densidade, que propiciará uma efetiva atualização dos conhecimentos oncológicos por parte da audiência, mas também pelo intercâmbio científico com os especialistas franceses, todos do mais elevado nível profissional e acadêmico. “O tripé do tratamento oncológico - oncologia clínica, radioterapia e cirurgia oncológica - será o foco principal deste Congresso, bem como os métodos diagnósticos mais modernos.”
Entre as novidades terapêuticas e diagnósticas serão abordados o uso do PET-SCAN, as novas técnicas radioterápicas (IMRT, 3D), o uso combinado de quimioterapia e radioterapia e terapêutica alvo-específica ou biológico-molecular nos variados tumores. “Principalmente, iremos discutir o PET-SCAN e a ressonância nuclear magnética e suas novas indicações, especialmente no câncer de mama e como rastreamento de pacientes portadoras de mutação do gene BRCA”, informa o especialista. Com relação ao câncer de mama e suas controvérsias, Dr. Murad diz que haverá discussão sobre o manejo individualizado das pacientes baseando-se na biologia tumoral e em seus marcadores moleculares; os avanços da hormonioterapia adjuvante, neo-adjuvante e da doença metastática; as novas drogas alvo-específicas a ser incorporadas nos regimes de tratamento; as técnicas cirúrgicas e radioterápicas mais modernas; remodelagens glandulares; o uso da pesquisa do linfonodo sentinela e o uso da ressonância magnética e do PET-SCAN na sua propedêutica.
Além do câncer de mama e as indicações e restrições do uso do PET-SCAN, outras discussões controversas importantes que serão abordadas no evento contemplam o uso de marcadores moleculares prognósticos e preditivos nos principais tumores; o uso da radioterapia hipofracionada; a epidemiologia do câncer no Brasil; o uso combinado de quimioterapia e radioterapia e o emprego de agentes alvo-específicos ou biológico-moleculares no tratamento oncológico. Outro grande destaque do Congresso será a reunião conjunta GBOC - SFBO. O GBOC (Grupo Brasileiro Oncológico Cooperativo), presidido pelo Dr. Murad, foi criado para estimular, fomentar e organizar de forma institucional a pesquisa oncológica brasileira. “Nesta reunião com a SFBO (Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia), discutiremos a cooperação franco-brasileira para a realização de protocolos de pesquisa clínica conjunta entre os dois países. As instituições oncológicas francesas têm muito a nos ensinar e a nos auxiliar neste objetivo. Iremos produzir pesquisa de qualidade em nosso país e estudos clínicos que possam ser conduzidos nos dois países e todos ganharemos com esta parceria científica.”
“Felizmente, a oncologia brasileira tem acompanhado o que de mais avançado ocorre nos países mais desenvolvidos. Temos conseguido oferecer o que existe de mais moderno e eficiente, tanto na área propedêutica quanto na terapêutica, incluindo a cirurgia, a radioterapia e a oncologia clínica. E o mais importante, estamos participando ativamente de estudos clínicos da mais alta relevância, o que concorre para que os pacientes brasileiros tenham acesso gratuito às técnicas e agentes terapêuticos dos mais avançados e modernos”, salienta o médico, afirmando que a incorporação de novos recursos propedêuticos, como as técnicas de imunoistoquímica e biologia molecular, bem como os novos métodos de imagem, como o PET-SCAN, são uma realidade no Brasil. “Também podemos oferecer uma radioterapia moderna e eficiente, como a que utiliza o IMRT e a radiocirurgia. A oncologia clínica também conta com as mais modernas medicações; infelizmente, o que não tem ocorrido é a socialização ou a ‘democratização’ destes avanços, com a disponibilização destes recursos aos pacientes atendidos nas instituições públicas do nosso país. Penso que esta questão também deva ser discutida por nós. Temos também nesta esfera muito o que aprender com a experiência francesa, que é um modelo de tratamento oncológico público de qualidade”, enfatiza.