
Dra. Adélia Marçal dos Santos |
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A Anvisa acaba de disponibilizar no site www.anvisa.gov.br um novo recurso para monitoramento de infecções em hospitais. Trata-se do Sistema Nacional de Informação para o Controle de Infecções em Serviços de Saúde (SINAIS) que foi desenvolvido para facilitar e agilizar o acompanhamento de indicadores de Infecção Hospitalar. Através de um programa de monitoramento que utiliza os critérios diagnósticos de infecção hospitalar desenvolvidos pelo CDC e preconizados pelo Ministério da Saúde, os serviços de saúde poderão, em tempo real, fazer o acompanhamento das infecções e inserir informações em um banco de dados nacional acessível a Municípios, Estados, Governo Federal e outros órgãos.
O SINAIS foi estruturado em três módulos: Hospital, Transmissão de Dados via WEB e Pesquisa do Usuário. Além de obter indicadores confiáveis, este instrumento informatizado pode identificar rapidamente surtos em estabelecimentos de saúde.
A Gerente de Investigação e Prevenção de Infecção em Serviços de Saúde da Anvisa, Dra. Adélia Marçal dos Santos, falou nesta entrevista a Prática Hospitalar sobre este novo recurso para controle de infecções. Confira mais informações a seguir.
Prática Hospitalar - Como surgiu a idéia de criar o SINAIS?
Dra. Adélia Marçal dos Santos - É reconhecido que a informatização proporciona uma melhor qualidade de informação e poupa o tempo do controlador de infecção, inclusive na coleta e análise de dados. Com o SINAIS, os relatórios podem ser feitos em qualquer dia do mês e as taxas acompanhadas periodicamente.
Entre as principais dificuldades apontadas pelos hospitais para monitoramento das infecções estão a carência de técnicos, ausência de horas disponíveis para o serviço e também a qualificação. Com o SINAIS haverá redução do tempo da vigilância epidemiológica, aumento na confiabilidade dos dados e acesso rápido aos relatórios. Através do SINAIS possibilitaremos a capacitação das pessoas quanto a vigilância epidemiológica, pois ainda hoje muitos profissionais não sabem como fazer, muito embora já tenham realizado a vigilância de alguma forma.
O SINAIS atende desde aquele hospital que necessita de um nível de detalhamento de vigilância até aquele serviço de saúde que trabalha com acompanhamentos menos detalhados. Além disso, com este recurso o gestor poderá negociar com o serviço de saúde o indicador que para ele é mais importante, não havendo necessidade de trabalhar com taxas globais.
P. H. - Como irá funcionar este Sistema?
Dra. Adélia - O SINAIS está disponível no site da Anvisa em duas versões, a demo e a oficial. A versão demo possibilita aos profissionais a utilização do sistema e avaliação de sua versatilidade, pois assim o profissional poderá apresentar ao administrador do hospital os benefícios que este serviço pode trazer para a instituição e de que maneira ele funciona, mas permite um cadastro de fichas limitado. No caso da versão oficial, para obtê-la o administrador preencherá um cadastro do hospital e enviará à Anvisa para que o sistema seja liberado para uso. A princípio este recurso estará disponível gratuitamente a qualquer hospital.
As informações inseridas no banco de dados da Anvisa serão embasadas em uma metodologia de vigilância epidemiológica, ou seja, com a utilização dos critérios diagnósticos validados e homogêneos. Os hospitais serão credenciados para que seus dados sejam inseridos no banco nacional, pois verificamos que de 3.434 hospitais brasileiros, somente 7% utilizavam o critério diagnóstico validado, ou seja, os desenvolvidos pelo CDC e aplicados mundialmente, 3,8% usavam critérios próprios e a maioria dos hospitais (89,2%) utilizava critérios variados como: do médico assistente, mais de um critério, não usavam ou desconheciam o que eram critérios. Tudo isso demonstrou que a vigilância epidemiológica realizada hoje, na maioria dos hospitais, realmente carece de metodologia.
P. H. - Qual o principal objetivo do SINAIS?
Dra. Adélia - É prover o hospital com uma ferramenta efetiva na realização da vigilância epidemiológica. Um sistema que faz análises e permite conhecer os problemas internos das instituições para que assim possam ser direcionados os esforços e sensibilizados os administradores que necessitam destes relatórios para conhecer melhor a realidade da instituição.
O SINAIS é uma ferramenta para gerenciamento das ações de controle de infecção muito mais confiável que os outros recursos que existiam até então. Além disso, possibilita ao gestor analisar melhor os problemas mais freqüentes nos hospitais, pois o Município e outros órgãos têm acesso às informações individuais dos hospitais, mostrando os problemas por regiões. Desta forma, estes órgãos poderão direcionar seus recursos e investimentos para sensibilização ou mesmo treinamento em determinadas regiões.
P. H. - Quem está envolvido com o desenvolvimento desse sistema?
Dra. Adélia - Há dois anos existia uma proposta inicial de um sistema que tinha como objetivo prover o gestor com informação. Não era um produto muito amigável ao hospital, pois representava uma carga a mais de trabalho e interessava exclusivamente ao gestor. Este produto foi encaminhado a 150 profissionais das Associações de Controle de Infecção dos Estados, da ABIH e também aos hospitais que colaboraram com o primeiro piloto de aplicação do SINAIS. Foi como uma oficina de observação das principais fragilidades e modificações necessárias, por isso durante dois anos o sistema foi completamente reformulado.
A Dra. Maria do Carmo Ramalho Rodrigues de Almeida foi quem realizou o primeiro desenho do SINAIS. Atualmente toda a equipe da Anvisa está envolvida neste novo projeto, cujo gerente é o Dr. Leandro Queiroz Santi, que é médico com formação específica em controle de infecção. Trabalhamos de forma integrada, pois a abordagem do controle de infecção deve ser multiprofissional, ou seja, além do médico, é imprescindível a visão do enfermeiro, farmacêutico, microbiologista e outros profissionais.
Nossa equipe é composta por pessoas que trabalharam durante muitos anos em hospitais e conhecem exatamente os problemas enfrentados pelos profissionais que atuam nos serviços de saúde. Muitos já passaram pela experiência de ser, por exemplo, um gestor e por isso sabem a dificuldade de fazer o gerenciamento do controle de infecção sem informações.
Apesar do sistema ser de fácil manipulação e auto-explicativo, a Anvisa estará organizando, junto com as Vigilâncias Sanitárias dos Estados, treinamentos do SINAIS para os mais diversos profissionais, usuários dos serviços de saúde e gestores.