Condutas nas
Infecções em
Gestantes e na Mulher
Entrevista com a Profa. Dra. Marinella Della Negra
Supervisora da Equipe Médica da Enfermaria do 2º andar do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Professora Assistente de Moléstias Infecto-Contagiosas da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
Por Luciana Rodriguez

Profa. Dra. Marinella Della Negra |
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Um dos assuntos abordados durante o 4º Congresso Paulista de Infectologia, realizado em Santos entre os dias 18 e 21 de agosto, foram as condutas nas infecções em gestantes e na mulher. Uma mesa-redonda destacou o diagnóstico fetal das infecções congênitas; a conduta do infectologista na violência sexual; o tratamento anti-retroviral na gestação e hepatites virais e gestação, temas abordados, respectivamente, pelo Dr. Maurício Saito, Dra. Maria Ivete Castro Boulos, Dr. Jorge Senise e Dr. Orlando G. Conceição.
A supervisora da equipe médica da Enfermaria do 2º andar do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Professora Assistente de Moléstias Infecto-Contagiosas da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, Dra. Marinella Della Negra, presidiu a mesa e destacou nesta entrevista à Prática Hospitalar os principais pontos abordados durante as apresentações. Confira a seguir as considerações da especialista.
Prática Hospitalar - Como o diagnóstico fetal das infecções tem evoluído ao longo dos anos?
Profa. Dra. Marinella Della Negra - A medicina vem se transformando rapidamente a cada ano. Hoje, diferentemente do que ocorria alguns anos atrás, ginecologistas e obstetras trabalham com infectologistas e discutem o diagnóstico fetal das infecções. Essa parceria é imprescindível para estes especialistas no que se refere a conhecimentos e resulta em melhoria para a gestante e redução no número de crianças com déficit intelectual, motor ou qualquer outra deficiência conseqüente de doenças que podem ser prevenidas. Ao longo dos anos, ginecologistas e obstetras foram percebendo a necessidade de desenvolver um trabalho conjunto com infectologistas a fim de prevenir infecções na mulher e na gestante. Esta foi uma das principais condutas que proporcionaram importantes avanços no diagnóstico fetal das infecções.
P. H. - Como deve ser a conduta nos casos de diagnóstico fetal das infecções?
Dra. Marinella - Atualmente podemos prevenir fazendo o diagnóstico na gestante antes que ela contraia doenças, como por exemplo rubéola, e orientá-la para que antes de engravidar tome as vacinas. No caso da mulher já estar grávida, ela deve fazer o diagnóstico para verificar se a criança tem doenças como citomegalovírus ou toxoplasmose, que podem ser tratadas. Atualmente dispomos de muitas medidas que podem evitar que um grande número de bebês nasça com algum tipo de deficiência.
Se analisarmos os locais de recuperação de crianças com algum tipo de déficit, constataremos que um grande número de casos são originados a partir de infecções, enquanto o restante dá-se por problemas genéticos, para os quais, infelizmente, até o momento não há nada a fazer. Daí a importância de evitar a ocorrência destes casos conseqüentes de infecções para que a tendência seja, daqui por diante, a redução do número de crianças com deficiência.
P. H. - E quanto à conduta do infectologista quando se trata da violência sexual?
Dra. Marinella - Na violência sexual há o risco das doenças sexualmente transmissíveis, especialmente do HIV. Nestes casos, temos algumas medidas de tratamento para essas pessoas. Inicialmente tratamos as infecções por bactérias e simultaneamente fazemos um tratamento preventivo com anti-retrovirais, a fim de evitar possíveis infecções por HIV. Além disso, existe a preocupação quanto à prevenção da gravidez, pois 90% dos casos de violência sexual atingem mulheres. Atualmente, diversos profissionais estão voltados ao atendimento dessas mulheres, preocupados inclusive em oferecer também um atendimento psicológico.
P. H. - Como é feito o tratamento anti-retroviral na gestação?
Dra. Marinella - Não existe uma unanimidade em relação ao tratamento anti-retroviral na gestação. Na apresentação do Dr. Jorge Senise foram levados em consideração os dados que ele levantou em relação à prevenção da condição da matéria fetal e aplicação de drogas, pois no final da gestação, a partir da 28ª semana, analisa-se a possibilidade da realização de cesárea e de utilização de drogas. Durante a palestra, o Dr. Jorge expôs que utiliza os anti-retrovirais potentes no final da gestação, fazendo com que haja uma menor exposição da criança e da mãe aos anti-retrovirais; trata-se de uma visão particular de conduta neste caso.
P. H. - Considerações gerais sobre as apresentações.
Dra. Marinella - É muito importante destacar também a prevenção da hepatite, inclusive porque no Brasil há uma grande incidência de hepatite B e a hepatite C está cada vez mais freqüente. O ponto alto da mesa-redonda foi a importância do tratamento adequado para a mulher, para que ela possa estar sadia, satisfeita e com um feto saudável.