Sociedade Paulista de Infectologia Reúne Especialistas
no 1º Encontro Regional em Piracicaba
Entrevista com o Dr. Hamilton Bonilha de Moraes
Presidente da Sociedade Paulista de Infectologia. Presidente da CCIH da Santa Casa de Piracicaba.
Presidente da CCIH do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba.
Por Flávia Lo Bello

Dr. Hamilton Bonilha de Moraes |
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A Sociedade Paulista de Infectologia promoveu, nos dias 16 e 17 de setembro, em Piracicaba, SP, o 1º Encontro Regional de Infectologia. Na oportunidade também foram realizados a I Exposição de Materiais Educativos em Promoção e Prevenção da Saúde do Adolescente e Jovem e o Simpósio de Odontologia na Área de Infectologia.
Em sua programação científica, o Encontro contemplou temas como infecções na gravidez, imunizações em rotavírus, doenças emergentes e reemergentes, características clínicas de infecções fúngicas em odontologia, curso básico de hepatites virais, farmacoeconomia na área da saúde, atualização no tratamento do HIV, atualização em hepatite crônica C, adolescência e sexualidade, entre outros. Nesta entrevista à Prática Hospitalar, o presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Dr. Hamilton Bonilha de Moraes, um dos coordenadores do evento, conta mais detalhes sobre a realização desse 1º Encontro.
Prática Hospitalar - Como foi a idéia de realizar o 1º Encontro Regional da Sociedade Paulista de Infectologia em Piracicaba?
Dr. Hamilton Bonilha de Moraes - Os encontros regionais no interior do Estado, com a finalidade de descentralizar informações científicas, serão uma das metas dessa diretoria, e ter iniciado em Piracicaba, minha cidade natal, foi devido à localização privilegiada desse município, que está situado próximo de diversas cidades que contam com serviços de infectologia, e também à solicitação da Secretaria Municipal de Saúde, que demonstrou interesse em realizar o evento em parceria com a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI).
P. H. - Qual a importância e os objetivos do evento?
Dr. Bonilha - Sabendo da dificuldade dos profissionais da área da saúde do interior do Estado em se deslocar para as grandes cidades, principalmente para a capital, para absorver os mais recentes conhecimentos na área da infectologia, a SPI tem procurado levar essas informações até eles, através dos quatro congressos já realizados em cidades do interior (Campinas, Sorocaba, Piracicaba e Santos) e agora por intermédio de encontros regionais.
P. H. - Como foram selecionados os temas da programação científica?
Dr. Bonilha - O evento contou com uma diversificada programação na área de infectologia, enfocando temas atuais de interesse para várias especialidades médicas e outras áreas da saúde, como odontologia, enfermagem, farmácia e serviço social, que foram escolhidas juntamente com membros da Secretaria Municipal da Saúde de Piracicaba com o objetivo de suprir as necessidades científicas locais. O grande número de temas de interesse fez com que fizéssemos uma programação científica em duas salas simultâneas durante os dois dias, para diferentes públicos-alvo.
P. H. - Qual a sua opinião sobre as apresentações dos palestrantes e quais os temas de maior repercussão e interesse entre os congressistas?
Dr. Bonilha - Os palestrantes escolhidos são referência nacional nas suas respectivas áreas e com muito brilhantismo conseguiram empolgar o público presente. No primeiro dia do Encontro tivemos em uma das salas o “Simpósio de Odontologia na Área de Infectologia”, com palestrantes da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp, que palestraram para cerca de 100 cirurgiões-dentistas. Na outra sala, temas como infecções em neonatologia (Dra. Rosana Richtmann), infecções na gravidez (Dr. Fernando Ruiz), vacinas a ser introduzidas e oportunidades perdidas em imunizações (Dra. Helena Sato), imunizações em rotavírus (Dr. Otávio Leite Cintra), doenças emergentes e reemergentes (Dr. Carlos Magno Fortaleza) e resistência na tuberculose (Dra. Mariângela Resende), reuniram cerca de 500 pessoas.
No dia seguinte, em uma das salas tivemos uma programação mais específica para a área de infectologia, como HIV/aids, co-infecção HIV e hepatite C, co-infecção HIV e hepatite B, complicações metabólicas na terapia do HIV, atualização em hepatite B e C, além de indicações de transplante hepático. Na outra sala, com a finalidade de atingir um público mais abrangente, realizou-se um curso básico de hepatites virais e palestras sobre atualização no tratamento das principais infecções comunitárias (Dr. Hélio Vasconcellos Lopes e Dra. Marlirani Rocha) e farmacoeconomia (Dr. Marcos Antonio Cyrillo).
P. H. - Que novidades terapêuticas foram contempladas neste 1º Encontro?
Dr. Bonilha - Piracicaba e região vivem uma elevada prevalência de casos de hepatite C e aids, com um surto de febre maculosa e infecção intestinal por rotavírus. Assim, a perspectiva de uma vacina contra rotavírus, a orientação quanto a prevenção, diagnóstico e tratamento da febre maculosa e as novas drogas para o tratamento da aids e das hepatites B e C foram de suma importância para os participantes.
P. H. - De forma geral, o que de mais importante foi discutido em relação às hepatites virais e o HIV?
Dr. Bonilha - Quanto às hepatites virais, um tema atual em todos os congressos de infectologia, devido à grande prevalência dessa doença no Brasil e principalmente em nosso Estado, programamos um curso básico sob a coordenação do Dr. Fernando Gonçales Lopes Jr. (Unicamp), que após as informações pertinentes sob as diversas etiologias das hepatites virais, juntamente com o seu grupo (Dra. Aline, Dra. Neiva e Dr. Rodrigo) reforçou os conceitos através de discussões de casos clínicos. As novas drogas que estão chegando ao mercado para o tratamento da hepatite crônica B, como adefovir e entecavir, foram abordadas com muita propriedade pelo Dr. Fernando Lopes, o mesmo acontecendo em relação à terapêutica da hepatite crônica C com os interferons peguilados e as perspectivas, não muito distante, dos inibidores de protease, pelo Dr. Antonio Alci Barone (HC/FMUSP).
O tema Co-infecção HIV/Hepatite C, relatado pela Dra. Maria Helena Pavan (Unicamp), que apresentou dados da região de Campinas com uma elevada prevalência (53%), e a palestra da Dra. Raquel Stucchi (Unicamp), sobre a indicação de transplante hepático, cuja principal causa é a própria hepatite crônica C, dignificaram o evento. Em relação ao HIV, a orientação sobre a importância na genotipagem no contexto da terapêutica e as indicações das novas drogas (tenofovir e atazanavir) foram brilhantemente abordadas, respectivamente, pelas Dras. Mônica Moraes e Mariana Machado, além da palestra sobre as complicações metabólicas no HIV, tema de suma importância na prática clínica dessa doença, realizada de forma magnífica pelo Dr. Bruno Caramelli (INCOR/ HC-FMUSP), enfocando a prioridade em diminuir os fatores de risco para as doenças cardiovasculares antes de trocar os anti-retrovirais.
P. H. - Gostaria de acrescentar mais alguma informação?
Dr. Bonilha - Gostaria de salientar que esse evento gratuito, organizado pela Sociedade Paulista de Infectologia e Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria Municipal da Saúde, contou com um público expressivo para um encontro regional, com a presença de 870 inscritos sendo 743 participantes efetivos, sucesso alcançado pela riqueza da programação científica, a dedicação da comissão organizadora, pelo apoio da prefeitura de Piracicaba, da indústria farmacêutica e da revista Prática Hospitalar. Ressaltamos a participação de profissionais de 21 municípios. Além da parte científica, pudemos desfrutar de uma agradável programação social, na qual as divergências decorrentes das concorrências saudáveis e normais entre as indústrias farmacêuticas foram deixadas de lado, imperando a fraternidade entre todos. Assim, o sucesso do 1º Encontro Regional da SPI, gestão 2004/2005, reforça a necessidade da realização de outros eventos no interior do Estado.
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