Atendimento Anestesiológico
de Qualidade: Em Busca do Ideal


Entrevista com o Dr. Rohnelt Machado de Oliveira
Presidente do 51º Congresso Brasileiro de Anestesiologia.
Presidente do Conselho Consultivo e Fiscal da Sociedade Paranaense de Anestesiologia.
Secretário do Conselho Fiscal da SBA.
Coordenador Técnico do Serviço de Anestesiologia e Responsável pelo Programa
de Residência Médica em Anestesiologia do Hospital Nossa Senhora das Graças - Curitiba.


Por Luciana Rodriguez


Dr. Rohnelt Machado de Oliveira


A Sociedade Paranaense de Anestesiologia, com o apoio das Sociedades Brasileira e Portuguesa de Anestesiologia, da Cooperativa Paranaense dos Anestesiologistas, da Federação Brasileira das Cooperativas de Anestesiologia, Confederação Latino-Americana das Sociedades de Anestesiologia e da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Profissionais Médicos de Curitiba e Região Metropolitana – MEDICRED, realizará o 51º Congresso Brasileiro de Anestesiologia (CBA), que ocorrerá concomitantemente ao 9º Congresso Luso-Brasileiro e ao 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. O evento acontecerá entre os dias 13 e 17 de novembro na Estação Convention Center em Curitiba, Paraná.

O Presidente da Comissão Executiva do Congresso, Dr. Rohnelt Machado de Oliveira, falou à Prática Hospitalar sobre a realização do CBA 2004 “Em Busca do Ideal”. Mais informações podem ser obtidas através do site www.cba2004.com.br/main.asp.

Prática Hospitalar - Quais serão os principais temas abordados durante o 51º Congresso Brasileiro de Anestesiologia?
Dr. Rohnelt Machado de Oliveira - O tema central do 51º CBA será “Em Busca do Ideal”. Este tema foi escolhido devido à nossa especialidade depender da interação de todas as áreas do conhecimento do saber humano, filosófico e científico. Dentro desta diversidade lutamos por um atendimento anestesiológico de qualidade, sempre em busca do ideal. A programação científica é extensa, abrangendo toda a especialidade. Os congressistas terão acesso a quatro auditórios, podendo escolher qual dos temas lhe é mais atrativo, um quinto auditório receberá os participantes do Congresso de Dor, exclusivo durante todo o evento. Em outros espaços ocorrerão dez simpósios e eventos paralelos nacionais e internacionais. Ainda realizaremos workshops de bloqueio regional em pediatria, vias aéreas, arritmias cardíacas, bloqueios oftalmológicos, Dor, Suporte Avançado de Vida em Anestesia, Palm para o anestesiologista.

PH. - Qual o objetivo principal do congresso?
Dr. Rohnelt - O principal objetivo do congresso é a interação entre a excelência nacional associada à experiência estrangeira, que poderão transmitir a todos os anestesiologistas participantes um panorama do que acontece na anestesiologia mundial.

PH. - Quais as novidades que o evento trará?
Dr. Rohnelt - O congresso oferecerá uma programação científica rica abrangente, dando prioridade a programas que desenvolvam a interatividade com os participantes, como workshops, conversa com especialista, teleconferências, telemeeting, deixando para um segundo plano as conferências magnas. Procuramos nesta edição do CBA 2004 diversificar a tradicional palestra professor/aluno, valorizando a troca de experiências, tendo ao final de cada apresentação maior tempo para discussão. Foram criados dez work-shops e simpósios para proporcionar grande interação entre os participantes. A maior novidade será o 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Trouxemos para dentro do Centro de Convenções os acompanhantes com uma variada programação, o espaço associativo está bem diversificado, com fórum cooperativo ministrado por especialistas, discutindo-se a sobrevivência das cooperativas de anestesiologia diante da atual carga tributária.

P. H. - Qual a perspectiva em relação ao 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia? Como surgiu a idéia de realizar este evento junto ao Congresso Brasileiro de Anestesiologia?
Dr. Rohnelt - A perspectiva de realizar o 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia é grande, pois devolverá ao anestesiologista uma tão importante tarefa do ser humano, que é o controle da dor pós-operatória, como a dor crônica, talvez um pouco negligenciada no passado, mas que nos dias atuais é de grande relevância para o paciente. A idéia de realizar este primeiro congresso de dor partiu da diretoria científica da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, preocupada em estimular os colegas para o estudo, pesquisa e terapêutica da dor. Um grande projeto de divulgação da terapêutica da dor, para os anestesiologistas, os verdadeiros especialistas no controle e combate da dor.

P. H. - Quais serão os diferenciais deste evento em relação às suas versões anteriores?
Dr. Rohnelt - O primeiro diferencial será o 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, com parte teórica e prática, que visa tratar a dor de forma multidisciplinar dentro de um quadro de especialistas que inclui o anestesiologista. Outro diferencial serão os palestrantes estrangeiros, oito portugueses, que formam junto com os 150 brasileiros o 9º Congresso Luso-Brasileiro, associados a 43 palestrantes de outras partes do mundo, que nos oferecerão o melhor da anestesiologia mundial. O local do evento é um diferencial à parte. Estação Embratel Convention Center, um dos mais modernos centros de eventos da América do Sul, recém-inaugurado, propiciando a todos os convencionais conforto de Primeiro Mundo. Associado a tudo isso, é anexo a um dos maiores shopping centers da cidade de Curitiba.

P. H. - Qual é a expectativa em relação ao número de participantes?
Dr. Rohnelt - A expectativa é de aproximadamente 2.500 inscritos e em torno de 3.000 participantes.

PH. - Qual o público-alvo do evento?
Dr. Rohnelt - O congresso, em seu princípio, tem como alvo o anestesiologista brasileiro; no entanto, à medida que fomos recebendo pré-inscrições durante este ano, notamos o grande interesse de anestesiologistas sul-americanos, principalmente nossos vizinhos paraguaios, a ponto de termos feito um acordo com uma empresa de Assunção para facilitar a vinda dos nossos vizinhos. Além disso temos inscritos de diversos países do Mercosul e portugueses, visto que o nosso congresso também é a 9ª edição do Congresso Luso-Brasileiro de Anestesiologia.

P. H. - Quais têm sido atualmente os principais desafios no dia-a-dia dos anestesiologistas e de que maneira este evento contribui com a superação dessas dificuldades?
Dr. Rohnelt - A anestesiologia brasileira ao longo dos anos tem demonstrado que, diferentemente de algumas partes da nossa sociedade, não deve nada a ninguém, e sim é de primeira qualidade, exportando técnicas utilizadas por todo o mundo. Demonstra uma enorme qualidade em resolver problemas e contornar soluções que nosso país nos impõe pelas dificuldades financeiras, mau gerenciamento de governos, que aplicam enorme carga tributária à custa de sua incapacidade de gerenciar os próprios gastos.

De um modo geral, o médico brasileiro encontra neste momento grande dificuldade em se manter num país que nega à nossa classe reajustes salariais há mais de nove anos, além da recusa de planos de saúde em aceitar a implantação de uma lista referencial para pagamento de procedimentos médicos, lista esta referendada por todas as entidades médicas do Brasil.

Com todos os problemas que encontramos no Brasil para desenvolver anestesias de qualidade, somos heróis, pois produzimos uma das melhores anestesia do mundo, com intensa produção científica, demonstrada pelos 650 temas livres nacionais e internacionais recebidos pelo congresso, além de centenas de palestras nacionais e internacionais, workshops, seminários e fóruns associativos, onde se discutirão os rumos políticos associativos que a especialidade vai tomar frente às dificuldades atuais e futuras.

Ao final, com certeza o 51º Congresso Brasileiro de Anestesiologia, 9º Luso-Brasileiro e 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia terão contribuído para a superação de dificuldades, aprimoramento científico e principalmente melhora da qualidade do atendimento do personagem principal, que é o paciente.
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