Experiências Internacionais
Serão Destaques da
III Conferência Nacional de Câncer
Entrevista com o Dr. Fernando Medina da Cunha
Oncologista Clínico do Centro de Oncologia Campinas, Limeira e Instituto de Oncologia de Piracicaba.
Por Luciana Rodriguez

Dr. Fernando Medina da Cunha |
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Com um público composto por formadores de opinião da oncologia brasileira, a Conferência Nacional de Câncer (CNC) tem se consolidado como um evento de grande sucesso desde 2001. Nas duas versões anteriores do evento, os temas Novas Tendências no Tratamento do Câncer e Experiência Nacional no Tratamento do Câncer foram amplamente debatidos por renomados especialistas brasileiros, inclusive com a apresentação de resultados de suas experiências em eventos internacionais, como a ASCO (American Society of Clinical Oncology) e a ECCO (European Câncer Conference). Neste ano, o Centro de Estudos e Pesquisas Oncológicas de Campinas (CEPOC) reunirá, além de importantes oncologistas brasileiros, sete profissionais internacionais na III Conferência Nacional de Câncer, que acontecerá entre os dias 18 e 20 de novembro em Campinas, no The Royal Palm Plaza.
Um dos destaques deste ano será o 1º Simpósio COC-PIM (Centro de Oncologia Campinas/Philadelphia International Medicine), que contará com a participação de quatro especialistas da Filadélfia. Na ocasião será promovida uma teleconferência sobre câncer de próstata diretamente da Pensilvânia. Outro assunto que será destacado no III CNC será a radioterapia intra-operatória de mama, que o Centro de Oncologia Campinas está realizando em parceria com o Instituto de Mama de Campinas, através de experiências com o Instituto Europeu de Oncologia.
O oncologista clínico do Centro de Oncologia Campinas, Dr. Fernando Medina da Cunha, um dos organizadores do evento, falou nesta entrevista à Prática Hospitalar sobre as principais abordagens da III Conferência Nacional de Câncer. Saiba mais sobre este evento a seguir.
PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA
Este ano não haverá um tema central, muito embora o câncer de mama será o grande destaque. A III Conferência Nacional de Câncer será iniciada no dia 18, com o 1º Simpósio COC-PIM (Centro de Oncologia Campinas/Philadelphia International Medicine). Participarão desse simpósio quatro especialistas da Filadélfia: Dr. Richard Lackman (Pennsylvania University USA), Dr. Kevin Fox (Pennsylvania University USA), Dr. David W. Andrews (University of Pennsylvania USA) e o Dr. Allan Pollack (Fox Chase Cancer Center USA); este último diretamente da Pensilvânia através de uma teleconferência sobre câncer de próstata. A apresentação do Dr. Ricardo Lackman será sobre sarcomas de partes moles, sendo que na mesma mesa brasileiros palestrarão sobre radioterapia, quimioterapia e cirurgia e, no final da discussão, o Dr. Lackman finalizará com uma revisão do assunto. Da mesma forma, o Dr. Kevin Fox palestrará seguido pelos brasileiros e, ao final, o especialista internacional fará um resumo de toda a discussão que foi feita. Em seguida, a Neuroncologia será abordada pelo Dr. David W. Andrews e, por último, o Dr. Allan Pollack encerrará a discussão com câncer de próstata.
Nesse mesmo dia, à noite, a abertura oficial do evento será marcada pela projeção das imagens da cerimônia do 25º aniversário da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, que acontecerá simultaneamente na cidade de Belo Horizonte.
No dia 19 haverá duas salas: uma com a produção científica brasileira, onde os especialistas brasileiros, inclusive aqueles que se apresentaram em congressos internacionais, irão expor suas experiências. Na outra sala será realizado o simpósio COC-Milão que contará com a participação de três profissionais de Milão, Dra. Rosalba Torrisi, Dr. Fabrício Brenelli e Dr. Intra-Mathia, todos do Instituto Europeu de Oncologia. Nesse dia, a discussão será sobre tumores de cabeça e pescoço e mama. Haverá uma interação muito importante com a radioterapia e a mastologia, de modo que serão debatidos temas ligados a mastologia, cirurgia, linfonodo sentinela e radioterapia intra-operatória.
No sábado, a programação científica segue com outros temas: linfomas, leucemias e sobre tratamento clínico suportivo.
EVENTOS ANTERIORES
Houve uma evolução muito grande no CNC, porque inicialmente tínhamos uma característica de discutir mais sobre drogas do que doenças. Neste ano, haverá alguns simpósios paralelos discutindo alguns assuntos específicos, visando resolver questões pontuais, ou seja, em relação a assuntos controversos, ao invés de grandes temas como câncer de mama, optou-se por uma abordagem mais específica, como por exemplo Qual o tratamento adequado em câncer de mama metastático?
Hoje, as tendências apontadas no CNC de 2001 tornaram-se realidade. Naquela época, colocamos nossas tendências, discutimos as medicações-alvo dirigidas, como os inibidores de EGFR e os antiangiogênicos. Ali começaram os primeiros trabalhos, as primeiras colocações na literatura. Atualmente, já estamos discutindo a validade, aplicação clínica, trabalhos fase III, inclusive trabalhos nacionais com este tipo de droga. Houve uma evolução rápida e hoje a tendência é uma realidade.
PARTICIPAÇÃO NACIONAL
Teremos convidados nacionais de grande destaque, oncologistas reconhecidos no Brasil. O objetivo do CNC não é atingir um grande público, mas sim reunir pelo menos 150 dos mais renomados oncologistas brasileiros. As inscrições estão abertas para todos os interessados em participar do evento.
Os grandes trabalhos brasileiros têm sido na área de câncer de pulmão, câncer de mama e câncer de intestino grosso e em sua maioria os trabalhos selecionados foram estes temas. São trabalhos bem-feitos e que certamente renderão uma ampla discussão. Isso é muito importante, porque na maioria das vezes o pesquisador brasileiro irá apresentar suas experiências em eventos internacionais, como na ASCO, mas não consegue apresentar no Brasil.
Teremos um espaço muito bom para mastologistas, radioterapeutas e haverá um espaço na programação científica direcionado a radiocirurgia e neuroncologia. Discutiremos também a adjuvância com inibidor de aromatase e todas as tendências dentro da oncologia mamária. No caso de câncer de pulmão, teremos uma mesa de discussão sobre a adjuvância em câncer de pulmão, que hoje é uma realidade e que há pouco tempo não representava nenhuma evidência na literatura, mas que atualmente passou a ser um tratamento standard. Discutiremos também o uso de taxanos em câncer de mama e se hoje este é o tratamento padrão ou não.
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