Quimioprevenção de
Lesões Pré-Malignas
e Perspectivas Futuras


Entrevista com o Dr. Pedro Michaluart Junior
Doutor em Medicina pela FMUSP e Médico Assistente do
Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HC/FMUSP.


Por Luciana Rodriguez


Dr. Pedro Michaluart Junior


A prevalência de cânceres de cabeça e pescoço no Brasil tem ampliado o número de estudos brasileiros realizados nesta área. O papel da quimioprevenção em pacientes, especialmente com lesão pré-maligna, tem sido um dos alvos desses estudos. O especialista Dr. Pedro Michaluart Junior falou, nesta entrevista à Prática Hospitalar, sobre a quimioprevenção e fez considerações gerais sobre os tumores de cabeça e pescoço. Confira mais detalhes.

Prática Hospitalar - Qual o papel da quimioprevenção em tumores de cabeça e pescoço?
Dr. Pedro Michaluart Junior - Em geral, o desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço envolve múltiplas etapas relacionadas a várias alterações genéticas. Normalmente estes tipos de tumores são diagnosticados anos após a primeira alteração genética do paciente, por isso o ideal é identificarmos quais pacientes têm predisposição a ter estes tipos de tumores para prevenirmos o desenvolvimento da doença. O objetivo é evitarmos a transformação de uma célula benigna em célula tumoral.

Estamos analisando, em populações específicas com alto risco de desenvolver tumores de cabeça e pescoço, a utilização da quimioprevenção, ou seja, os pacientes utilizam um medicamento para prevenir o aparecimento destes cânceres. Paralelamente estimulamos um estilo de vida mais saudável (alimentação saudável, consumo de frutas e verduras, atividades físicas, suspensão do tabagismo, etc.). Os pacientes que têm realizado quimioprevenção são aqueles que têm a lesão pré-maligna ou que já tiveram um tumor de cabeça e pescoço e querem prevenir o aparecimento de um novo tumor.

P.H. - Qual a situação do Brasil atualmente em relação às opções terapêuticas disponíveis para o tratamento destes pacientes?
Dr. Pedro - Existem diversos protocolos em atividade tanto no Brasil quanto no exterior e protocolos, inclusive, bastante semelhantes no desenvolvimento de algumas drogas. Infelizmente, estes tipos de tumores são prevalentes no Brasil e estão bastante relacionados ao tabaco, o que nos possibilita realizar estudos praticamente no mesmo nível que qualquer outro país para esse tipo de paciente.

P.H. - Qual é a importância da quimioprevenção em pacientes com lesão pré-maligna?
Dr. Pedro - A lesão pré-maligna tem grande chance de se tornar um tumor maligno e para evitarmos ressecar esta lesão cirurgicamente (tratar apenas a lesão e não o restante da mucosa) utilizamos a quimioprevenção, que previne o desenvolvimento de tumor em toda a mucosa.

P.H. - Como é feito o diagnóstico destes tumores?
Dr. Pedro - No carcinoma de cavidade oral, usualmente o diagnóstico é simples, é visual ou de observação. Por isso ressaltamos a importância de que todos os profissionais da área da saúde observem a cavidade oral dos pacientes, especialmente aqueles que são tabagistas e etilistas, e olhem a mucosa. Já os diagnósticos das lesões pré-malignas são em geral lesões brancas ou às vezes lesões avermelhadas. E os diagnósticos de tumores, em geral, são feridas ou lesões ulceradas na mucosa. O diagnóstico basicamente é feito dessa forma e confirmado com biópsia.

P.H. - Além das opções medicamentosas, quais os cuidados indicados para esses pacientes?
Dr. Pedro - Isso é bastante relevante. Hoje os protocolos que temos de estudos para tratamento medicamentoso de lesões malignas contemplam que o tratamento padrão é o cirúrgico, mas, independente de protocolo ou não, é importante que se houver uma lesão na mucosa da boca ou da faringe, o paciente procure auxílio. O tratamento mais indicado em geral é a ressecção dessa lesão, mas nos grupos de alto risco para o tumor acredito que no futuro serão desenvolvidos medicamentos que consigam diminuir a chance do tumor recidivar.
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