Uro-Oncologia Será
Abordada em Simpósio Internacional


Entrevista com o Dr. Marcelo L. Bendhack
Uro-Oncologista do Hospital Nossa Sra. das Graças de Curitiba, PR.
Doutor em Uro-Oncologia da Universidade Heinrich-Heine de Dusseldorf, Alemanha.
Mestre e Doutor em Clínica Cirúrgica da Universidade Federal do Paraná.
Presidente do 4º Simpósio Internacional de Uro-Oncologia.


Por Flávia Lo Bello


Dr. Marcelo L. Bendhack


Entre os dias 20 e 24 de novembro será realizado em Curitiba, PR, o 4º Simpósio Internacional de Uro-Oncologia, promovido pelo Departamento de Urologia do Hospital Nossa Senhora das Graças. Com uma extensa programação científica, o evento tem como objetivo melhorar o padrão de tratamento dos pacientes portadores de doenças malignas da próstata, trato geniturinário e adrenal.

O Simpósio, que nasceu em Curitiba, deverá ser promovido na próxima edição em um país estrangeiro. “Trata-se de um evento originado no Brasil e que se projetou para o meio internacional, de fato. Procuraremos, assim, integrar ainda mais as Sociedades envolvidas, permitindo a troca de idéias”, ressaltou o presidente do 4º Simpósio Internacional de Uro-Oncologia, Dr. Marcelo L. Bendhack, que concedeu uma entrevista à Prática Hospitalar para falar sobre a realização desse grande evento.

Prática Hospitalar - Qual a importância e os objetivos do 4º Simpósio Internacional de Uro-Oncologia?
Dr. Marcelo L. Bendhack - O 4º Simpósio Internacional de Uro-Oncologia tem como objetivo fundamental melhorar o padrão de tratamento dos pacientes portadores de doenças malignas da próstata, trato geniturinário e adrenal. As doenças aqui apresentadas são de extrema importância, haja vista o câncer de próstata, tumor não cutâneo de maior incidência no homem acima dos 40 anos de idade, e o câncer de testículo, que é a neoplasia maligna mais freqüente no homem entre os 15 e 35 anos. Conceitos desenvolvidos durante os Simpósios Internacionais prévios ajudaram a definir a conduta em pacientes com quadro clínico complexo, de difícil solução terapêutica. Aspectos de tratamento serão apresentados e discutidos de forma prática, objetiva, direta, contando com a participação de experts mundialmente reconhecidos. O número e a qualidade de palestrantes deste Simpósio permitem classificá-lo como o maior evento deste assunto na América Latina, que tem como característica fundamental agregar todas as formas envolvidas no tratamento, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, para citar as mais comuns. Como o reconhecimento internacional ocorreu, contamos com a inscrição de mais de cem europeus, além de colegas da América e da África.

P. H. - Quais foram os critérios para a seleção dos temas que serão apresentados durante o Simpósio?
Dr. Bendhack - O critério básico é a sua importância no contexto atual, a possibilidade de ser controverso e, sem dúvida, as tendências emergentes.

P. H. - Como está organizada a programação científica do evento e quais os temas de destaque?
Dr. Bendhack - A programação está distribuída em quatro dias de trabalhos. Pela manhã, haverá sessões com palestrantes internacionais e nacionais. À tarde predominam as apresentações com palestrantes nacionais. No 1º dia, teremos pela manhã temas sobre câncer de bexiga e testículo e, à tarde, discussões sobre técnicas cirúrgicas, patologia e fisioterapia. No 2º dia, pela manhã haverá discussões sobre câncer de próstata (primeira parte) e, à tarde, sobre radioterapia, reabilitação do paciente e fisioterapia. No 3º dia, pela manhã serão abordados temas sobre câncer de rim e adrenal e, à tarde, haverá discussões sobre oncologia clínica e biologia molecular. No último dia serão apresentados (de manhã) temas sobre câncer de próstata (parte dois) e discussões sobre temas diversos, de interesse dos participantes (à tarde), bem como a pós-graduação em uro-oncologia, no Brasil e no exterior.

P. H. - Qual a sua expectativa para este 4º Simpósio?
Dr. Bendhack - Ótima! Teremos mais de cem participantes europeus (de diversos países) e recebemos também inscrições, além dos continentes americano (sede do evento) e europeu, do continente africano. Contamos com o apoio de múltiplas Sociedades (Cancerologia, Oncologia Clínica, Radioterapia, Urologia), Instituto Nacional do Câncer e Associação Brasileira de Fisioterapia, além de várias universidades estrangeiras (Dusseldorf, Dresden, Berlim, Paris, Nova York, Malmö, entre outras).

P. H. - Em termos gerais, o que de mais importante será discutido sobre o tema câncer de próstata?
Dr. Bendhack - De forma geral, discutiremos a evolução tecnológica da cirurgia e radioterapia, tratamento complementar da doença localizada de alto risco, tratamento da metástase óssea e quimioterapia para doença avançada não-responsiva ao tratamento hormonal.

P. H. - O que os palestrantes internacionais irão abordar de mais significativo no evento?
Dr. Bendhack - Todos os temas são de alta complexidade e relevância. Para um paciente com doença desta natureza, tudo o que se possa dispor para elevar a qualidade trará benefícios diretos. Uma terapia bem indicada e bem realizada poderá determinar impactos definitivos na chance de cura e na qualidade de vida do paciente. Mas citando alguns pontos importantes das palestras internacionais, haverá discussões sobre a decisão acerca do momento ideal para a remoção da bexiga e como melhor reconstruí-la; qual o melhor tratamento para pacientes com tumor testicular localizado - como evitar tratamentos desnecessários sem colocar a vida do paciente em risco; qual a extensão ideal das cirurgias radicais; como o patologista pode nos ajudar durante o ato operatório; como a videocirurgia pode ajudar o paciente sem colocar em risco a qualidade do procedimento; como a fisioterapia pode ajudar na reabilitação do paciente após os impactos do tratamento; como melhorar os resultados de cura no tratamento de câncer da próstata; como evitar complicações sem comprometer o resultado desejado em tratamentos cirúrgicos e radioterápicos no câncer da próstata - como tratar as complicações, caso elas ocorram; como melhorar o controle de doenças neoplásicas renais - quando se pode evitar a remoção completa do rim e quais as novas opções para tratar doença restrita ao órgão e disseminada. Em resumo, as discussões contemplam o melhor tratamento, na medida certa, mantendo qualidade de vida.

P. H. - Em sua opinião, como está a uro-oncologia brasileira?
Dr. Bendhack - A uro-oncologia brasileira está bem, porém segmentada. Acredito que se possa auxiliá-la no momento em que um novo conceito (aplicado a este Simpósio, chamado apenas de URO-ONCO) possa ser introduzido. O conceito URO-ONCO possui como princípio básico a condição de realizar tratamento cirúrgico, medicamentoso (quimioterapia) e, se possível, radioterapia por especialista bem treinado, que conhece os efeitos colaterais e complicações de todas as formas de tratamento, bem como os seus resultados. Este profissional, utilizando-se deste princípio, poderia melhor escolher a forma de tratamento e acompanhar seu paciente durante toda e qualquer fase de terapia. Em resumo, o foco principal desta visão - ainda não predominante - é o paciente e não a (sub) especialidade do médico responsável.

P. H. - Gostaria de ressaltar mais alguma informação sobre o evento?
Dr. Bendhack - O Simpósio recebe este ano o selo ICCA (International Congress and Convention Association), por ter preenchido os requisitos para tal classificação. Destes, o que mais se destaca é o fato de receber mais de cem estrangeiros em cada uma das últimas duas realizações. Este evento, que nasceu em Curitiba, deverá ser promovido, na próxima edição, em um país estrangeiro. Deverá também, por exigência da ICCA, ter o suporte institucional de associação própria. Trata-se de um evento originado no Brasil e que se projetou para o meio internacional, de fato. Procuraremos integrar, assim, ainda mais as Sociedades envolvidas, permitindo a troca de idéias e, além disso, traremos informações acerca da pós-graduação no Brasil e no exterior, permitindo avanços na formação profissional (estudantes de Medicina). Pretendemos também oferecer meios (bolsa) para estágio no exterior, especialmente na Europa.
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