Hospital Realiza Simpósio para
Comemorar Liderança
Mundial em Transplantes de Rim



Por Flávia Lo Bello



Prof. Dr. José Osmar Medina Pestana


Em comemoração aos seis anos de existência, o Hospital do Rim e Hipertensão realizou no dia 12 de agosto, em São Paulo, SP, o simpósio “Opções Terapêuticas Atuais Pós-Transplante”, coordenado pelo diretor do Programa de Transplantes do Hospital, Prof. Dr. José Osmar Medina Pestana. O simpósio teve o apoio das empresas Janssen-Cilag, Wyeth, Novartis e Roche, que trouxeram as principais autoridades mundiais em transplantes do exterior para se apresentarem no evento.

A programação do simpósio teve início com um almoço de abertura, em que os professores Sir Peter Morris (Universidade de Oxford) e Sir Roy Calne (Universidade de Cambridge) falaram sobre “A evolução da imunossupressão”. Em seguida, se apresentaram no evento o Dr. Robert A. Montgomery (Johns Hopkins Hospital), com o tema “Tacrolimo – O que aprendemos depois de dez anos de experiência nos EUA”; o Dr. John F. Neylan (Wyeth – EUA), que falou sobre o “Sirolimo – Novas perspectivas no transplante renal”; a Profa. Dra. Clotilde Druck Garcia (Hospital da Criança Santo Antonio - Santa Casa de Porto Alegre-RS) e o Dr. Hélio Tedesco S. Júnior (Hospital do Rim e Hipertensão), cujas palestras abordaram os “Novos imunossupressores no Brasil”; por fim, o professor Dr. Gaetano Ciancio (Universidade de Miami) realizou a conferência “Cellcept: dez anos de experiência – Valcyte: nova opção terapêutica contra CMV”.



Profa. Dra. Clotilde Druck Garcia


“Um dos objetivos deste simpósio foi comemorar seis anos de transplante no Hospital do Rim e Hipertensão, que há seis anos seguidos é o hospital que mais faz transplantes no mundo. Queremos mostrar os resultados desse trabalho realizado no hospital e de alguma forma estimular a que outros centros sejam desenvolvidos no Brasil”, ressaltou o Dr. Medina. De acordo com o médico, os convidados estrangeiros que palestraram no simpósio contribuíram para aumentar o intercâmbio e a troca de experiências entre as áreas de transplantes realizadas dentro e fora do país.

“Temos um caminho longo para obter a mesma qualidade que se alcança fora do país em todos os centros brasileiros, mas acredito que estamos crescendo de uma maneira muito rápida. Temos um Programa de Transplante de Órgãos no Brasil que é superior ao que esperávamos, baseado na nossa condição socioeconômica. É um programa de alta complexidade, bastante desenvolvido e semelhante aos dos maiores centros do mundo”, revela o nefrologista. Sobre as opções terapêuticas atualmente disponíveis, com novas drogas imunossupressoras que evitam o processo de rejeição pós-transplante, o especialista diz que os resultados com essas drogas são muito favoráveis e hoje as chances de sucesso de um transplante são de 90% com a utilização das novas terapêuticas.

MICOFENOLATO SÓDICO

A responsável pela Unidade de Nefrologia Pediátrica e Transplante Renal Pediátrico do Hospital da Criança Santo Antonio (Santa Casa de Porto Alegre-RS), Profa. Dra. Clotilde Druck Garcia, abordou a experiência inicial com o uso do micofenolato sódico - uma nova apresentação do ácido micofenólico - no grupo de Transplante Renal Pediátrico da Santa Casa de Porto Alegre. “O micofenolato mofetil é uma droga muito boa; entretanto, possui alguns efeitos adversos, como intolerância gastrointestinal, que provoca náuseas, dor abdominal e diarréia. Particularmente nas crianças, observamos bastante esses paraefeitos, inclusive necessitando diminuir a medicação ou substituir por outra”, esclarece a médica.

“O micofenolato sódico já foi aprovado no Brasil e há alguns meses temos utilizado essa medicação, que nos parece tão eficiente quanto o micofenolato mofetil, com a vantagem de provocar menos efeitos adversos”, ressalta Dra. Clotilde. De acordo com a especialista, há alguns estudos clínicos internacionais que comprovam a eficiência do medicamento, tanto ao se utilizar a droga inicialmente quanto na conversão do micofenolato mofetil para o micofenolato sódico. Nas crianças transplantadas da Santa Casa de Porto Alegre, com a utilização do micofenolato sódico o índice de rejeição foi de apenas 20%. “No entanto, foi uma rejeição leve e facilmente tratada. No grupo de adultos, que são pacientes mais imunizados, mais hipersensibilizados e com doadores em condições não tão boas, tivemos um índice de rejeição em torno de 30%.”

“Na minha opinião, a área de transplantes no Brasil está cada vez mais evoluída. O país tem uma boa estrutura para a realização dos transplantes, pois a Secretaria da Saúde fornece a medicação para os pacientes e existem vários centros muito bem equipados”, afirma a nefrologista. Segundo a médica o Brasil, em número de transplantes, é o quarto país no mundo em números absolutos. “Nosso centro é referência em transplante pediátrico e temos todas as condições de fazer o transplante, desde em crianças bem pequenas até adolescentes, e temos recebido crianças de todo o Brasil para transplantar em nosso hospital”, informa.

Dra. Clotilde diz que a fila de transplante de rim ainda é grande no país. Embora as doações de órgão tenham aumentado, também vêm aumentando as indicações para o transplante. “Mesmo aumentando as doações não se consegue solucionar o problema; a demanda é sempre maior. Mas felizmente os pacientes com insuficiência renal podem aguardar um transplante na fila de espera, enquanto os pacientes que necessitam, por exemplo, de um fígado ou pulmão, se o órgão não chega rapidamente, acabam morrendo na fila.” Atualmente, as crianças esperam por um rim em torno de dois anos na fila de transplante, enquanto os adultos, dependendo do grupo sangüíneo, normalmente aguardam por um órgão cerca de três a cinco anos. “É muito importante que o diagnóstico de insuficiência renal crônica nas crianças seja feito rapidamente, e assim que realizado o diagnóstico, essas crianças devem ser encaminhadas para um serviço de nefrologia, para que sejam transplantadas precocemente, antes de iniciar a diálise, que é um tratamento invasivo, muito agressivo e desgastante.”
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