
Dr. Bruno Rodolfo Schlemper Jr. |
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A cidade de Florianópolis, Santa Catarina, irá sediar entre os dias 6 e 10 de março o XLI Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e o I Encontro de Medicina Tropical do Cone Sul. Com temas atuais e diversificados, a programação científica do evento irá enfocar, além de outros assuntos, as doenças emergentes e reemergentes em cerca de 27 conferências, 60 mesas-redondas, 8 cursos pré e transcongresso, 3 simpósios, duas oficinas e 20 sessões de temas livres. Os temas prioritários do XLI Congresso serão as doenças bacterianas e virais, micoses invasivas, zoonoses urbanas e rurais, controle vetorial, animais peçonhentos, vacinas, genômica e bioética em doenças tropicais, meio ambiente e novas doenças tropicais. No I Encontro do Cone Sul, os temas preliminares selecionados são as febres hemorrágicas (hantavirose, dengue), doença de Chagas, leishmanioses, hepatites, medicina dos viajantes, cisticercose, equinococose e cooperação internacional.
O evento, presidido pelo Dr. Bruno Rodolfo Schlemper Junior, conta com o patrocínio histórico do Laboratório Novartis, apoio tradicional de diferentes órgãos públicos da área da saúde, CNPq, Universidade Federal de Santa Catarina e parceria com várias sociedades científicas, como a Sociedade Brasileira de Infectologia, Parasitologia, Virologia, Medicina de Família e Comunidade e Associação Brasileira de Saúde Coletiva.
A Prática Hospitalar entrevistou o Dr. Schlemper e traz a seguir mais informações sobre o evento.
Prática Hospitalar - Qual será o tema central abordado nos eventos?
Dr. Bruno Rodolfo Schlemper Jr. - O 41º Congresso de Medicina Tropical, que neste ano terá acoplado o I Encontro de Medicina Tropical do Cone Sul, tem como tema central as doenças emergentes e reemergentes e as doenças transmissíveis de interesse em saúde pública serão aquelas de maior abrangência. Várias sessões abordarão a temática das vacinas sob a ótica das recentes descobertas e das campanhas de saúde pública. Pesquisadores vinculados a organismos internacionais de saúde trarão suas vivências pessoais na prevenção das doenças transmissíveis nas populações vítimas de desastres naturais, como o recentemente ocorrido na Ásia.
O Ministério da Saúde, através da Secretaria de Vigilância em Saúde organizará interessante programa, com conferências e mesas-redondas sobre epidemiologia e controle do HIV/aids, tuberculose, hepatites virais, dengue, esquistossomose, vigilância epidemiológica de doenças emergentes, reemergentes e sindrômicas e outras. Um dos temas de maior abrangência será a aids, especialmente pela forte relação nos dias atuais com as doenças oportunistas de origem infecciosa e parasitária, e a hepatite, que vem aumentando em grande escala nos últimos anos. A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS/OMS) é outra parceira sempre presente e terá excelente programação, com simpósio especial de malária, mesas redondas sobre resistência antimicrobiana, perspectivas da eliminação da hanseníase, riscos da influenza, catástrofes naturais e outras. Participarão do evento palestrantes dos EUA, Europa e vários países da América Latina, especialmente daqueles integrantes do Cone Sul. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) terá uma participação nunca vista em nossos congressos, trazendo temas relevantes e atuais (novo Código Sanitário Internacional, doenças transmissíveis em hemoterapia e transplantes, transporte de material biológico, saúde dos viajantes e cursos de treinamento de investigação de surtos).
P. H. - Qual sua perspectiva em relação ao público do evento?
Dr. Schlemper - Nosso congresso traz várias inovações, dentre as quais a criação de estímulos à presença de jovens estudantes das ciências biológicas e da saúde. Faz parte de nosso objetivo atrair os jovens a participar, pois entendemos que através da formação dos estudantes vamos criar futuros pesquisadores. Outro estímulo é a isenção de pagamento da inscrição ao aluno que for primeiro autor de trabalho científico. O Congresso é um evento que conta com a participação não apenas de médicos, nas suas diferentes especialidades clínicas, mas de todos os que atuam na área da saúde. Outra novidade é a forma de seleção e de premiações especiais em todas as áreas das doenças infecciosas parasitárias (três em cada área e três menções honrosas), além de uma premiação específica para os melhores trabalhos em HIV/aids. Foram inscritos cerca de 1.200 trabalhos científicos e 220 selecionados para apresentação oral como temas livres. Portanto, nosso público-alvo é constituído por profissionais e alunos das ciências biológicas e da saúde que atuam em pesquisa básica e aplicada nas instituições de ensino e de pesquisa, além dos que atuam na rede pública estadual e municipal de atenção à saúde, especialmente os integrantes dos Programas de Saúde da Família. São esperados mais de 1.500 participantes.
P. H. - Quais as metas de ambos os eventos?
Dr. Schlemper - O objetivo é transmitir conhecimento na área, possibilitar a troca de informações entre profissionais de várias partes do país e do mundo, apresentar e discutir novos avanços, contribuições e atualizações na área das doenças infecciosas e parasitárias. Conforme já mencionado, uma das metas é contribuir para a formação do jovem pesquisador, estimulando os alunos de graduação e pós-graduação a se dedicarem ao estudo destas importantes doenças.
Nosso congresso terá um foco muito intenso na abordagem epidemiológica das doenças, na prevenção e no controle. Além dos conteúdos apresentados nos cursos, mesas-redondas, conferências, simpósios e oficinas serão elaboradas recomendações técnicas às autoridades do país.
P. H. - Como tem evoluído a especialidade da Medicina Tropical nos últimos anos?
Dr. Schlemper - Estamos em um momento de progresso ocasionado pelo crescimento das doenças vinculadas a esta especialidade nos últimos anos, e o Brasil é hoje um país de liderança mundial em relação ao desenvolvimento técnico e científico da Medicina Tropical. Muitas contribuições vêm sendo dadas por nossos pesquisadores e técnicos, especialmente voltadas para os aspectos epidemiológicos e de prevenção. Estes eventos certamente servirão para mostrar muito daquilo que estamos fazendo e produzindo de mais atual.
Aproveito para renovar o convite a todos os estudantes de graduação e pós-graduação e os profissionais da saúde ou outros que tenham algum interesse ou que vivenciem estas realidades em seus cotidianos para que venham participar dos congressos de Medicina Tropical na nossa cidade de Florianópolis, onde serão recebidos de braços abertos.