Atualizações e Perspectivas em Medicina Tropical


Entrevista com o Dr. Bruno Rodolfo Schlemper Jr.
Doutorado em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Por Luciana Rodriguez


Renomados infectologistas reuniram-se durante a
cerimônia de abertura do evento


Durante o 2º Congresso de Infectologia do Cone Sul, renomados especialistas brasileiros e estrangeiros se reuniram e colocaram em debate relevantes temas da infectologia. O evento, que é realizado pela Asociación Panamericana de Infectología, ocorreu entre os dias 2 e 4 de dezembro em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças. Presidido pelo Dr. Sérgio Cimerman, médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital Israelita Albert Einstein Unidade Avançada Alphaville e Delegado do Brasil na Associação Pan-Americana de Infectologia e Federação Latino-Americana de Parasitologia, o 2º Cone Sul reuniu cerca de 400 congressistas, que participaram de grandes discussões sobre temas diversificados e conferiram recentes avanços na área da infectologia. “A API tem um importante papel de participação científica nos principais congressos de infectologia, organizando simpósios com os mais variados temas de importância para os profissionais latino-americanos. Tem promovido o desenvolvimento de vários comitês de estudo e pesquisa e participa efetivamente do programa oficial da Infectious Diseases Society of America (IDSA) e da International Society for Infectious Diseases (ISID)”, relata Dr. Cimerman.

Avanços em aids, em imunizações e diagnóstico laboratorial nas doenças infecciosas e parasitárias foram as três mesas-redondas que iniciaram o evento. Na mesa Avanços em aids, um dos participantes, Dr. David Everson Uip, Diretor Executivo do InCor, Professor Livre-Docente da USP e Professor Titular da Faculdade de Medicina do ABC, abordou o tema novas drogas. “Temos boas perspectivas em relação ao tratamento da aids e quanto à tentativa de reconstituição do sistema imune. O conhecimento da imunopatogênese e do ciclo de replicação do vírus foram algumas das principais conquistas no que se refere a aids, pois nos permitiram a disponibilização de medicamentos efetivos. O avanço na terapêutica anti-retroviral fez com que muitos pacientes vivessem mais e com melhor qualidade de vida. Hoje, o que surge como novidades são os antiintegrases, a terapia genética, as vacinas terapêuticas, mas o avanço maior certamente será a associação da terapêutica anti-retroviral com a terapêutica de reconstrução do sistema imune”, ressalta Dr. Uip.


Dr. David Everson Uip


Na seqüência, outras mesas-redondas, miniconferências e simpósios-satélites deram continuidade ao congresso. Doenças como leptospirose, dengue, helmintíases, manifestações fúngicas, pneumonias, toxoplasmose e hepatite C também foram uma das primeiras abordagens do 2º Cone Sul. Além disso, os temas Doenças emergentes no Brasil, Medicina dos viajantes: Modelos a serem seguidos e propostas de diretrizes, Desafios da assistência em área de fronteiras, Novos antibióticos: progressos e perspectivas, Temas atuais em antibioticoterapia, Atualização diagnóstica e terapêutica em doenças parasitárias e O Hospital e a vigilância epidemiológica e controle de doenças também fizeram parte da programação científica do primeiro dia. Todos os assuntos debatidos por especialistas de diversos países, que apresentaram diferentes experiências e realidades. “Além de estabelecer um intercâmbio científico entre todos os profissionais da América Latina, este congresso possibilitou o acesso a novos recursos em pesquisas de ponta e também promoveu novas relações de amizade com todos os serviços de infectologia distribuídos nas várias localidades do continente, contribuindo para a formação de jovens médicos residentes”, conta Dr. Cimerman.

No segundo dia de congresso foram retomados alguns temas que já haviam sido abordados e outros assuntos foram propostos na programação, entre eles novas abordagens em sepse, infecções fúngicas invasivas, hepatite B, resistência bacteriana na América Latina, infecções pediátricas, febres hemorrágicas virais: atualidades, conduta atual nas próteses osteoarticulares infectadas e tuberculose. No último dia, foram feitas considerações finais sobre doenças já abordadas inicialmente e alguns tópicos da infectologia que não haviam sido debatidos anteriormente foram expostos, tais como endemias tropicais e aids, infecções virais emergentes, situação atual das meningites na América Latina, prevenção e controle das infecções hospitalares, infecções do sistema nervoso central: atualidades, condutas em pacientes com HTLV, doenças infecciosas de importância na clínica médica e infecções em mulheres/gestantes.

Segundo o médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital Israelita Albert Einstein e Ex-Presidente da Associação Pan-Americana de Infectologia, Dr. André Lomar, a programação científica do evento debateu todos os grandes problemas das doenças infecciosas, em especial das doenças emergentes e reemergentes e as grandes ameaças infecciosas que surgirão na humanidade. “O melhor do programa foi sua amplitude. Todas as áreas são importantes semelhantemente, por isso não nos limitamos somente a alguns temas. Venho de uma vasta experiência no intercâmbio com países da América Latina e sei que o benefício da interação entre os profissionais é muito grande, pois grupos de pesquisas se encontram, discutem e debatem temas de interesse da América Latina e há uma discussão dos problemas locais comuns aos diversos países latino-americanos. Especialmente no caso do Brasil e dos países do Cone Sul, o intercâmbio estava um pouco perdido e o Cone Sul está resgatando a participação do Brasil dentro da comunidade latino-americana”, ressalta Dr. Lomar.

Simpósios-Satélites
Durante o evento foram realizados importantes simpósios-satélites. A busca da melhor opção de tratamento da hepatite C foi o tema do simpósio da Schering-Plough, que contou com a participação do Dr. Fernando Ruiz, que falou sobre o pólo de aplicação – a visão do médico e do paciente, do Dr. Fernando Gonçales, que apresentou dados do estudo epidemiológico brasileiro e do estudo IDEAL e do Dr. Sérgio Cimerman, que coordenou a mesa. A GlaxoSmithKline propôs uma discussão sobre infecções preveníveis por vacinação, como estabelecer uma clínica de medicina do viajante? e conclusões sobre o futuro da medicina do viajante. Os moderadores do simpósio da Glaxo foram os Drs. Mario Massana Wilson e Jessé Alves. A Bristol-Myers Squibb trouxe para o 2º Cone Sul o tema Novo inibidor da protease na terapia anti-retroviral, em simpósio que reuniu o Dr. André Villela Lomar, que abordou a posição dos inibidores de protease no consenso, Dr. Adauto Castelo Filho, que palestrou sobre Atazanavir e perfil lipídico e Dr. Ricardo Sobhie Diaz, que finalizou com os Mecanismos de resistência ao atazanavir.