Entre os dias 13 e 17 de novembro de 2004 foi realizado em Curitiba, PR, o 51º Congresso Brasileiro de Anestesiologia. Na oportunidade também ocorreram o 9º Congresso Luso-Brasileiro e o 1º Congresso de Dor da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Tendo como tema central Em Busca do Ideal, o CBA 2004 foi promovido pela Sociedade Paranaense de Anestesiologia e presidido pelo Dr. Rohnelt Machado de Oliveira.
Além das inúmeras palestras realizadas, workshops, teleconferências e apresentações de temas livres, também fez parte da programação científica do evento a realização de simpósios promovidos pela indústria farmacêutica, entre os quais o da Abbott “O anestesista como protagonista da qualidade da anestesia”. Os participantes do simpósio foram a Dra. Maria Angela Tardelli (Sevoflurano e cardioproteção) e o Dr. Roberto Monclus Romanek (Qualidade e segurança com dexmedetomidina). A AstraZeneca também realizou um simpósio com o tema “Perspectivas da prevenção do tromboembolismo na anestesiologia”, tendo como moderador o Dr. Manuel Moreira e como palestrantes o Dr. José Luiz Gomes do Amaral (Desafios atuais no tratamento da doença tromboembólica) e o Dr. Elbio D’Amico (Nova dimensão em anticoagulação inibidor da trombina por via oral).
A Cristália abordou em seu simpósio o uso da S(+) Cetamina. Presidido pelo Dr. Roberto da Serra Freire, os temas das palestras foram: Mecanismo fisiopatológico da dor ações da S(+) Cetamina, proferida pelo Dr. João Batista S. Garcia; Uso da S(+) Cetamina na dor pós-operatória, apresentada pelo Dr. Kleber Machareth de Souza; Aspectos atuais e perspectivas de uso da S(+) Cetamina, tema abordado pelo Dr. Onofre Alves Neto. Outro laboratório que promoveu um simpósio foi a Roche, cujo tema discutido foi “Cetorolaco no manejo da dor aguda”. O simpósio teve como moderador o Dr. Pedro Paulo Tanaka e contou com as apresentações do Dr. Luiz Fernando de Oliveira (Cetorolaco e sua farmacologia) e do Dr. Irimar de Paula Posso (Experiência clínica).
PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA
Arritmias Ventriculares
“É muito importante identificar a diferença morfológica e funcional das arritmias ventriculares, porque isso terá implicação direta no tratamento. As arritmias que normalmente percebemos durante a anestesia são as arritmias ventriculares não-sustentadas, que no paciente normal não têm nenhuma repercussão; porém, no paciente cardiopata, são de risco para degeneração em arritmias mais graves.
Sabemos que as recomendações de tratamento hoje se baseiam em guidelines estabelecidos pela literatura internacional. O que não temos ainda são protocolos para o período intra-operatório especificamente; contudo, temos orientações muito bem estabelecidas para pacientes de atendimento ambulatorial ou de emergência.
Estão disponíveis, atualmente, drogas muito eficazes no tratamento das arritmias com muito menos risco de complicações. Há também novos fármacos sendo pesquisados. A eficácia do tratamento foi confirmada para determinadas situações que não existiam anteriormente, como foi o caso da amiodarona e, eventualmente, o sotalol, que são utilizados para o tratamento de alguns tipos de arritmias. Não são drogas de eleição, mas certamente têm amplo espectro de indicações e, principalmente, no caso das arritmias ventriculares, a amiodarona tem destaque, despontando como a principal indicação quando a opção é o tratamento farmacológico.
É fundamental, portanto, o conhecimento dos mecanismos que geram as arritmias, o conhecimento em relação ao tratamento, tanto o elétrico quanto o farmacológico, e isso precisa ser amplamente divulgado e reforçado para o anestesiologista, pois ele é um dos especialistas que estão na linha de frente do atendimento de pacientes graves, como é o caso do paciente cardiopata.”

Dr. Alexandre Slullitel
Médico Supervisor da Divisão de Anestesiologia e Medicina Perioperatória e Controle da Dor do Incor - DF.
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Anestesia em Pediatria: Cirurgia Cardíaca
“A evolução nos cuidados pré, peri e pós-operatórios permitiu a utilização de técnicas anestésicas simples e seguras na cirurgia cardíaca pediátrica. O emprego destas técnicas proporcionou maior estabilidade cardiovascular durante a cirurgia, extubação traqueal na sala de operação, controle efetivo da dor pós-operatória, alta precoce da UTI e do hospital, além da diminuição de custos hospitalares.
A síntese de drogas anestésicas de curta duração de ação e com menores repercussões sobre a função cardíaca contribuiu significativamente na redução da morbimortalidade perioperatória. Entre estas drogas, poderíamos citar os hipnóticos (etomidato), anestésicos inalatórios (sevoflurano), opióides (alfentanil e remifentanil) bem como os bloqueadores neuromusculares de duração intermediaria de ação (rocurônio).
Embora não sejam utilizados rotineiramente, o emprego do cateter de Swan-Ganz e a ecocardiografia transesofágica permitiram a realização de procedimentos cirúrgicos cada vez mais complexos, em pacientes cada vez mais graves, com maior segurança.
Outro aspecto importante na obtenção de melhores resultados na cirurgia cardíaca pediátrica foi o desenvolvimento das técnicas de circulação extracorpórea (CEC), bem como o melhor entendimento da resposta inflamatória sistêmica decorrente de seu emprego.
A extubação traqueal na sala de cirurgia apresenta vantagens como aumento do débito cardíaco e da perfusão renal, diminuição na incidência de barotrauma, menor probabilidade de processo infeccioso do sistema respiratório, eliminação da possibilidade de obstrução do tubo traqueal a ainda extubação acidental pós-operatória, além de diminuir custos hospitalares (enfermagem e drogas sedativas).
Os critérios para extubação traqueal imediata após cirurgia cardíaca incluem: paciente desperto, ausência de instabilidade hemodinâmica significativa, adequada função respiratória e neuromuscular. Ausência de sangramento importante e normotermia.
A cirurgia cardíaca pediátrica progrediu muito nos últimos anos. A evolução nos cuidados pré, peri e pós-operatórios contribuiu para que a correção de cardiopatias cada vez mais complexas em pacientes graves pudesse ser realizada com maior segurança.”

Prof. Dr. Marcius Vinícius Maranhão
Professor de Farmacologia da Universidade de Pernambuco. Chefe do Serviço de
Anestesiologia do Hospital Universitário Oswaldo Cruz. Anestesiologista do NCT do
Real Hospital Português de Beneficência - Recife - PE.
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Utilização da Ropivacaína
“A ropivacaína é um anestésico local de longa duração de ação com potencial de cardiotoxicidade menor do que o encontrado com a bupivacaína, que era o anestésico que vinha sendo utilizado até então. Há um isômero da bupivacaína (levobupivacaína) que apresenta um perfil de cardiotoxicidade que se aproxima do observado com a ropivacaína, o que faz desta última, dentre as três, uma alternativa mais segura, na hipótese não desejada de níveis elevados serem atingidos durante o uso clínico dessas substâncias. A ropivacaína pode ser utilizada em anestesia regional para a feitura de bloqueios de raízes nervosas, troncos nervosos, nervos periféricos; na analgesia pós-operatória, na analgesia do parto e no controle da dor crônica quando for indicado um anestésico local. A ropivacaína é a melhor indicação em analgesia devido à afinidade que possui pelas fibras de menor diâmetro (condutoras da dor), o que permite o uso de baixas concentrações capazes de atingir o objetivo de alívio da dor sem comprometimento da motricidade do paciente.”

Prof. Dr. Carlos Alberto de Souza Martins
Professor Mestre de Farmacologia de Universidade Federal do Maranhão.
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Cetorolaco no Manejo da Dor Aguda
“O cetorolaco é um analgésico antiinflamatório não-seletivo, bloqueador tanto da cicloxigenase tipo 1 quanto tipo 2, semelhante aos demais analgésicos antiinflamatórios mais antigos. Tem os efeitos benéficos dessas drogas, como efeito analgésico, antiinflamatório, antipirético e também antitrombótico. No entanto, possui os eventos adversos comuns a esses medicamentos, que são irritação gástrica, possibilidade de ulceração, sangramento digestivo, lesão renal em doses altas e, em longo prazo, reações anafilactóides.
A potência analgésica do cetorolaco é comparável à dos outros antiinflamatórios não-esteroidais, como diclofenaco e cetoprofeno. Em alguns modelos de dor experimental tem ação analgésica tão potente quanto a morfina, por via intramuscular, porém isso depende muito do modelo. O cetorolaco está indicado para o controle da dor aguda, especialmente nas primeiras 48 horas, uma vez que ele não deve, como todo antiinflamatório parenteral, ser usado por mais de 48-72 horas, pelo risco de lesão renal, embora possa ser usado por via oral por um tempo mais prolongado.
É uma droga que já foi exaustivamente estudada na América, utilizada já há muito tempo nos EUA, e por problemas mercadológicos só foi introduzida no Brasil recentemente. Como a nossa literatura é basicamente americana, as informações que se tem de literatura médica são mais restritas; porém, o cetorolaco é um medicamento que, sem dúvida, vem aumentar nosso arsenal terapêutico no controle da dor pós-operatória.”

Prof. Dr. Luiz Fernando de Oliveira
Professor Titular de Anestesiologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. |
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