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O Colégio Brasileiro de Cirurgiões realizou, entre os dias 5 e 9 de junho, no Rio de Janeiro, o XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia. O evento reuniu cirurgiões de todo o mundo, que discutiram as mais recentes descobertas na área da cirurgia. Durante os cinco dias de evento foram realizados conferências, simpósios, curso de atualização, workshops, consensos, mesas-redondas, painéis interativos e debates. Além disso, foram promovidas sessões de videoconvidados, temas livres e pôsteres.
Trauma - desafios diagnósticos e terapêuticos, infecção cirúrgica, transplantes, cirurgia vascular, impacto do MELD/PELD no transplante de fígado, tratamento de câncer de esôfago e câncer gástrico, os consensos interativos - tratamento das metástases hepáticas do câncer do aparelho digestivo e tratamento neo e adjuvante do câncer colorretal, a mesa-redonda - segurança no uso de medicamentos e muitos outros temas foram colocados em discussão por médicos de diferentes especialidades.
O bioterrorismo, abordado durante conferência do médico americano Donald Fry (Universidade da Califórnia), enfatizou aos cirurgiões as técnicas e procedimentos para tratamento de vítimas de eventuais ataques terroristas com armas químicas. Nas apresentações sobre trauma tornou-se evidente a preocupação quanto às condutas para tratamento de vítimas de traumas, que são cada vez mais freqüentes. Dados de recentes estudos sobre células-tronco foram apresentados pelo Dr. Gerson Cotta Pereira e novas técnicas sobre transplante intervivo de fígado foram colocadas em discussão.
O câncer de mama, tumores nos músculos da coxa e tornozelo e transplante de pulmão estiveram também entre os grandes destaques do evento.
Durante o XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia, a Novartis preparou o workshop Tumores do Estroma Gastrointestinal (GIST) e Sarcomas Ósseos e de Partes Moles. O primeiro módulo desse workshop foi GIST e SPM do retroperitônio, com as palestras GIST - aspectos biomoleculares anatomopatológicos, Dr. Fernando Soares, GIST - tratamento cirúrgico, Dr. José Carlos Del Grande, GIST - tratamento sistêmico: indicações e resultados, Dr. Marcello Ferretti Fanelli e SPM do retroperitônio: clínica, diagnóstico e tratamento, Dr. Carlos Eduardo Rodrigues Santos. No segundo módulo, o enfoque foi a preservação de membros em sarcomas ósseos e de partes moles, com as palestras Invasão vascular e ressecabilidade em SPM, Dr. Fabio de Oliveira Ferreira e Perspectivas futuras no tratamento dos SPM, Dr. Samuel Aguiar Junior.
Outro workshop que chamou atenção dos participantes foi o da Pfizer, que destacou a infecção em cirurgia abdominal, cujos temas foram divididos em novos conceitos em infecção abdominal e infecção abdominal em situações especiais. Dentro dos novos conceitos em infecção abdominal, os assuntos abordados foram: novos-velhos antibióticos nas infecções intraperitoneais, Dr. Walter Tavares; importância da resistência bacteriana nas infecções de sítio cirúrgico, Dr. Julival Ribeiro; prevenção da infecção da necrose retroperitoneal na pancreatite aguda grave, Dr. José Marcos Eulálio e antibioticoterapia no trauma abdominal, Dr. Hamilton Petry de Souza. Na segunda parte, em infecção abdominal em situações especiais, diagnóstico da infecção intraperitoneal em pós-operatório de cirurgia bariátrica, Dr. Marcus Vinicius Dantas, infecção intraperitoneal e síndrome compartimental, Dr. Marcus A. Freire, complicações infecciosas em procedimentos endoscópicos das vias biliares, Dr. Luis Leite Luna e infecção pós-operatória no paciente idoso, Dr. Armando Ângelo Casaroli.
“Em minha apresentação fiz uma revisão sobre os principais microorganismos habitualmente envolvidos nas infecções intra-abdominais, enfatizando a participação de bactérias Gram-negativas entéricas e bactérias anaeróbias, em especial as do grupo do Bacteroides fragilis. Relacionei e discuti as propriedades dos antimicrobianos que mostram atividade isoladamente contra as enterobactérias, tais como os aminoglicosídeos, as fluoroquinolonas, as cefalosporinas e o aztreonam. Fiz o mesmo com os antibióticos que têm atividade específica contra os germes anaeróbios, com ênfase no cloranfenicol, a clindamicina e o metronidazol. Posteriormente, apresentei as características de antibióticos que são capazes de agir tanto contra os Gram-negativos como contra os anaeróbios, com destaque para as penicilinas associadas com inibidores de beta-lactmases (am-picilina + sulbactam; ticarcilina + clavulanato; piperacilina + tazobactam) e os antibióticos carbapenêmicos (imipenem, meropenem e ertapenem). Ao final, apresentei as opções de esquemas terapêuticos para o tratamento de infecções intra-abdominais, relacionadas com a origem do paciente e a gravidade do caso, destacando as vantagens e os inconvenientes dos antigos e de novos antimicrobianos”, comentou Dr. Walter Tavares.
Dentro de uma ampla programação científica, estas foram algumas das principais abordagens desse evento, que reuniu mais de quatro mil congressistas atuantes em diferentes áreas da medicina.