Durante o VII Simpósio Mineiro de Oncologia, que aconteceu entre os dias 13 e 16 de abril, foram realizadas duas mesas-redondas sobre tumores do sistema nervoso central (SNC), uma enfocando tratamento e a outra, mundo real. Dados recentes da literatura foram apresentados na ocasião junto com o relato da experiência de importantes especialistas envolvidos no tratamento destes tipos de tumores.

Renomados especialistas apresentaram as mais recentes
novidades em SNC durante as duas mesas-redondas voltadas ao tema. |
Na primeira abordagem, tratamento, foram colocados em discussão os temas cirurgia para tumores do SNC resultados (Dr. Carlos Batista Alves de Souza); indicações e resultados da radioterapia nos tumores do SNC (Dr. Rodrigo de Morais Hanriot); quimioterapia associada à radioterapia para tumores do SNC (Dra. Ana Alice Vieira Barbosa Camelo) e tratamentos usados em segunda linha para glioblastoma multiforme e gliomas anaplásicos, uso de bloqueadores de EGFR e tirosina quinase (Dr. Victor Hugo Silva Lopes Rodrigues).
Na apresentação do Dr. Carlos Batista Alves de Souza, professor de neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e chefe do Serviço de Neurocirurgia e Neurologia da Santa Casa de Belo Horizonte, os gliomas malignos foram ressaltados. Segundo o especialista, o tratamento desses pacientes começa com a neurocirurgia, onde se deve retirar a máxima quantidade do tumor, ou seja, no mínimo 98% da massa tumoral, para que o tratamento complementar com radioterapia e quimioterapia possa trazer um melhor benefício para o doente. “No tratamento desses pacientes, podemos dizer que em todos os casos o ideal é a associação dos três procedimentos: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Uma nova droga, a temozolomida, surge com uma perspectiva de melhora, uma sobrevida de dois meses e meio que pode ser altamente significativa para o paciente”, afirma Dr. Carlos.
Ainda na mesa tratamento, a oncologista clínica do centro de quimioterapia antiblástica e imunoterapia do Hospital Belo Horizonte e Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Dra. Ana Alice Vieira Barbosa Camelo, falou sobre a quimioterapia associada à radioterapia em tumores do SNC. “Existem numerosos estudos nos últimos 30 anos em pacientes com gliomas malignos visando beneficiar a sobrevida com quimioterapia adjuvante e radioterapia. A segurança dos novos agentes, particularmente a temozolomida, faz com que os mesmos sejam razoáveis e viáveis para tratar pacientes com o objetivo de aumentar a sobrevida. Novas pesquisas devem ser feitas para permitir que a maioria dos pacientes se beneficie na adjuvância”, expôs a oncologista.
Na última apresentação dessa mesa, o Dr. Victor Hugo Silva Lopes Rodrigues, médico oncologista clínico da Oxion Medicina Oncológica e dos Hospitais Socor, Baleia e Regional de Betim e coordenador do comitê de ética em pesquisa do Hospital da Baleia e membro do comitê de ética em pesquisa do Hospital Socor, colocou em debate o tratamento de segunda linha de glioblastoma multiforme e gliomas anaplásicos. “O tratamento de segunda linha visa apenas paliar, ou seja, minimizar os sintomas, preservando ou melhorando a qualidade de vida. Recentemente, a temozolomida tornou-se a primeira linha em paliar, deixando os esquemas quimioterápicos utilizados anteriormente como primeira escolha agora em segundo plano”, disse o especialista durante sua palestra.
Na continuidade das abordagens sobre SNC, a segunda mesa-redonda enfocou o mundo real. As palestras do Dr. Sérgio Lago Dificuldades para uso de temozolomida em tratamento sistêmico; do Dr. Carlos de OliveiraLopes Dificuldades para utilizar novas técnicas de radioterapia em tumores do SNC; do Dr. Rodrigo Ribeiro Gouthier Dificuldades para uso de técnicas de imagem; do Dr. Carlos Alberto Ribeiro Uso de técnicas especiais de laboratório e da Dra. Sônia Maria Rossi Vianna Tumores do SNC em crianças fecharam a discussão colocando em debate as novidades terapêuticas e as dificuldades em sua utilização.
Entre as palestras mundo real, o Dr. Sérgio Lago, professor assistente da disciplina de Oncologia Clínica da PUC/RS, ressaltou as dificuldades atuais em relação ao uso de novos medicamentos. “Novas drogas, novos preços, novos problemas. Com a impossibilidade dos serviços credenciados de tratar os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com algumas drogas, começa a peregrinação desses pacientes”, adverte. O especialista também considerou em sua apresentação o papel dos convênios e dos gestores de saúde.
Já a médica encarregada do setor de oncologia pediátrica do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, Dra. Sônia Maria Rossi Vianna, apresentou dados sobre tumores do SNC em crianças. “Os tumores do SNC representam o segundo câncer mais freqüente na criança abaixo dos 15 anos de idade e ocorrem cerca de 1.600 novos casos ao ano no Brasil. Muitos destes tumores são curáveis quando tratados adequadamente e em decorrência disso existe uma grande preocupação quanto ao seu tratamento, pois este, associado a lesões já causadas pela presença do próprio tumor, pode causar seqüelas tardias permanentes. No Brasil, ainda temos problemas em relação ao diagnóstico das neoplasias da infância e adolescência: muitas vezes estes pacientes passam por várias consultas, mas o diagnóstico só é feito quando o tumor está muito grande e a doença avançada. É importante que os profissionais que atendem à criança e ao adolescente prestem atenção aos sinais e sintomas apresentados, para que se possa fazer um diagnóstico mais precoce e assim aumentar as chances de obter melhores respostas com o tratamento, e com menos seqüelas. No tratamento de tumores do SNC em crianças e do adolescente utiliza-se cirurgia, radioterapia e quimioterapia”, relata Dra. Sônia.
Além das mesas sobre Sistema Nervoso Central, foram realizadas mesas sobre câncer de pulmão, linfomas, câncer de cólon e reto e câncer de mama. O resumo destas e outras palestras do VII Simpósio Mineiro de Oncologia podem ser encontrados no site da revista Prática Hospitalar: www.praticahospitalar.com.br.