Atualização Científica e Reciclagem em Anestesiologia
Por Luciana Rodriguez

A mesa magna do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin,
foi um dos pontos-auge do evento. |
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Anestesiologistas de todo o Brasil se reuniram entre os dias 20 e 22 de maio, no Centro de Convenção ITM-EXPO, em São Paulo, para participar do 2º Congresso Paulista de Anestesiologia (COPA). O evento, presidido pelo Dr. Irimar de Paula Posso, Presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo, reuniu mais de 1.000 congressistas e colocou em debate os avanços na área da Anestesiologia, tanto em diagnóstico quanto em tratamento, equipamentos, novas drogas e técnicas que proporcionam maior segurança no ato anestésico. A programação científica do evento, bastante ampla, foi dividida em importantes abordagens sobre dor, anestesia pediátrica, bloqueios, urgências, obstetrícia, bloqueadores neuromusculares, obesidade mórbida, transfusão/hemostasia, segurança, eventos adversos em anestesia, novas drogas, ventilação mecânica em anestesia, anestesia fora do centro cirúrgico, ligas de anestesia, cardiovascular e ortopedia.
No bloco em que a dor esteve em discussão, os palestrantes enfocaram, entre outros temas, a dor aguda no pós-operatório e a analgesia preemptiva. Em anestesia pediátrica, bloqueios periféricos e reposição volêmica foram alguns dos importantes assuntos abordados. Na conferência sobre bloqueios, renomados anestesiologistas debateram sobre bloqueios espinhais, bloqueios de membros superiores, anestesia regional intravenosa, entre outros tópicos.

Dr. Irimar de Paula Posso |
Na mesa sobre urgências, novos conceitos no tratamento do politraumatizado, manuseio ventilatório do traumatismo grave de tórax, síndrome inflamatória sistêmica e muitos outros assuntos relacionados foram colocados em discussão. Além disso, o Dr. Eduardo Henrique Giroud Joaquim e o Dr. Carlos Roberto Jorge estiveram à frente de uma conferência, “Tire suas Dúvidas”. O tema desta conferência foi Avaliação pré-operatória e monitorização do paciente politraumatizado: o que há de novo? O Dr. Giroud, professor da disciplina de Anestesiologia do Departamento de Cirurgia da Escola Paulista de Medicina (EPM) e diretor do Departamento de Anestesiologia do Hospital do Câncer, expôs a importância do atendimento pré-hospitalar e hospitalar no paciente politraumatizado. “O paciente, sendo ou não operado, precisa de uma avaliação clínico-cirúrgica completa. Além disso, o anestesiologista não precisa participar da reanimação desse paciente somente no ambiente cirúrgico, ele pode fazer parte da equipe no atendimento do pronto-socorro ou mesmo no atendimento pré-hospitalar. Uma das grandes dificuldades que temos hoje é conseguir receber o paciente adequadamente reanimado. Em São Paulo temos um serviço de resgate muito bem padronizado e estabelecido e alguns anestesiologistas participam deste processo. O trauma é uma importante causa de óbito e a maior parte deles é evitável através de medidas como dirigir melhor, não dirigir alcoolizado e não utilizar drogas ilícitas. A melhor forma de não ter problema é evitar tê-lo”, expõe Dr. Giroud.
Em obstetrícia, foram debatidos temas como a avaliação pré-anestésica na gestante em regime ambulatorial, analgesia obstétrica e defeitos da coluna, uso de oxigênio em cesárea e em parto normal, drogas de uso em anestesia repercussões fetais e na amamentação, e outros. Ainda no primeiro dia do evento foi realizado um curso sobre bloqueadores neuromusculares, coordenado pelo Dr. Irimar Posso e com participação das Dras. Maria Ângela Tardelli e Maria Cristina Simões de Almeida, que palestraram, respectivamente, sobre a fisiologia da junção neuromuscular/mecanismo de ação dos bloqueadores neuromusculares e fatores que interferem na farmacologia dos bloqueadores neuromusculares.
Foi no segundo dia do COPA que aconteceu um dos pontos-auge do evento, a mesa magna do governador do Estado de São Paulo e médico anestesiologista, Geraldo Alckmin. Com o auditório lotado, o governador falou sobre a importância da constante busca por atualização científica e relembrou momentos em que atuava como anestesista. A mesa magna contou ainda com a presença do Dr. Irimar Posso, Dr. José Luiz Gomes do Amaral, vice-presidente da Saesp e presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Dr. Isac Jorge Filho, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Luiz Roberto Barradas Barata, secretário de Estado da Saúde, João Charles, presidente da Coopanest - SP e Dr. Pedro Thadeu Galvão Viana, presidente do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).
Ainda durante o segundo dia, cirurgias restritivas e mal-absortivas em bariatria, cirurgia bariátrica por laparoscopia, anestesia regional no paciente obeso mórbido e outros temas foram destaques na programação sobre obesidade mórbida. Outra importante mesa, sobre novas drogas, trouxe recentes informações em anestesia inalatória, colóides sintéticos, potencial uso terapêutico dos anestésicos locais encapsulados, clonidina x dexmedetomidina, etc. Ademais, o Dr. Luiz Fernando de Oliveira palestrou sobre novos fármacos no tratamento da dor. Segundo Dr. Luiz, professor titular de anestesiologia da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ e membro da Clínica de Dor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no universo de novas drogas para o tratamento da dor, várias substâncias estão em avançados ensaios experimentais e algumas já em ensaios clínicos, mas ainda lidamos com o grande entrave que é a multiplicidade de alvos no sistema nervoso periférico e no sistema nervoso central. “No momento não temos drogas revolucionárias, por duas razões: primeiro pela multiplicidade de alvo desenvolvido e segundo pela grande capacidade de flacidade neuronal. No entanto, existem algumas drogas promissoras, principalmente no manuseio da dor crônica, especialmente da dor neuropática, inclusive algumas drogas antiinflamatórias novas muito potentes que agem inibindo a produção e liberação de citocinas e os agonistas canabinóides. Para o manuseio da dor aguda temos drogas que agem satisfatoriamente, mas quanto às dores crônicas as mesmas drogas utilizadas em dor aguda não são tão eficientes. Nestas situações utilizamos os antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e eventualmente opióides e agonistas ß-2, mas na realidade não temos drogas que sejam suficientemente eficazes e com uma morbidade baixa para controlar a dor neuropática”, explica Dr. Luiz.
O segundo dia do evento englobou também um curso de ventilação mecânica em anestesia, coordenado pelos Drs. José Otávio Costa Auler Junior e Jorge Bonassa.
No último dia, importantes discussões sobre anestesia fora do centro cirúrgico foram propostas, entre elas a microcirurgia de laringe com laser. Na sessão sobre cardiovascular, a ICC no perioperatório foi um dos tópicos apresentados e em ortopedia os temas monitorização da integridade neurológica no intra-operatório e cirurgias de coluna, o paciente geriátrico cuidados perioperatórios e cirurgias para correção de defeitos na coluna foram debatido.
| Simpósios Satélites |
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A Cristália patrocinou dois importantes simpósios-satélites durante o 2º COPA. No dia 20 de maio, o Dr. Irimar Posso e o Dr. Ricardo Simoni palestraram, respectivamente, sobre rocurônio a evolução dos bloqueadores neuromusculares e rocurônio na prática clínica indicações, vantagens e benefícios. “Na minha apresentação enfatizei as principais características desta droga: curto tempo de latência proporcionando intubação orotraqueal em curto intervalo de tempo, a não-liberação de histamina e a segurança desta droga, mesmo quando utilizada em altas doses e sua utilização na prática clínica. Trata-se de uma droga que veio revolucionar a anestesia, pois só tínhamos até então para intubação em sequência rápida a succinilcolina, que causava muitos efeitos adversos, como reações alérgicas, aumento na pressão intra-ocular e fasciculações, efeitos esses não observados com esta nova droga, afirmou o Dr. Ricardo Simoni, anestesista e membro do Centro de Ensino e Treinamento do Centro Médico de Campinas.
Já no dia 21, a Cristália enfocou em seu simpósio a analgesia no neuroeixo, onde o Dr. João Valverde Filho abordou opióides no neuroeixo e o Dr. Túlio César Alves, a clonidina.
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