
Prof. Dr. Marcelo Luis Abramides Torres |
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A Latin American Society of Regional Anesthesia, junto com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia e a Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo, realizarão nos dias 5 e 6 de agosto, no Centro de Convenções do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o 12º Teoria e Prática da Anestesia Regional e do Controle da Dor. O evento terá aulas práticas, painéis, conferências e miniconferências, sessões interativas, workshops, simpósios e uma sessão Consenso sobre materiais e drogas na anestesia regional.
O evento contará com a participação de renomados especialistas de todo o Brasil e colocará em discussão importantes temas, como bloqueios em diferentes especialidades, ressuscitação cardiorrespiratória e anestesia regional, analgesia controlada pelo paciente, concentração mínima de anestésico local, raquianestesia para cirurgia ambulatorial, utilização clínica dos AINEs e COX2, tratamento ambulatorial da dor oncológica, peridural torácica, espaço peridural, entre muitos outros temas. Ademais, através do laboratório de informática do local, serão possíveis aulas interativas sobre anatomia virtual de membro superior, anatomia virtual de membro inferior, como otimizar a sua imagem digital e pesquisa bibliográfica via Internet.
Nesta entrevista à Prática Hospitalar, o professor doutor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, presidente da LASRA e vice-diretor científico da SAESP, Dr. Marcelo Luis Abramides Torres, adiantou alguns dos destaques do evento. Veja a seguir mais informações.
Prática Hospitalar - Qual será a principal preocupação deste 12º Teoria e Prática da Anestesia Regional e do Controle da Dor?
Dr. Marcelo Luis Abramides Torres - A abordagem deste Simpósio será totalmente direcionada à anestesia regional. É um evento que temos realizado há 12 anos e que sempre teve como principal objetivo difundir a anestesia regional: raquianestesia, anestesia peridural e bloqueios periféricos. É direcionado para o aprendizado e divulgação de técnicas. Inicialmente, a idéia de criar este evento surgiu nos EUA, nos moldes da Sociedade Americana de Anestesia Regional, ASRA, e o Brasil adotou esta idéia através da LASRA, Latin American Society of Regional Anesthesia e hoje faz parte de nosso objetivo divulgar a anestesia regional. Para isso, contamos com o apoio da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo. Esta 12ª versão do evento dá continuidade a este simpósio, no qual procuramos sempre privar do alto nível dos conferencistas, pessoas de muito conhecimento na área, e uma programação densa com aulas durante todo o dia.
P. H. - Qual será o público-alvo do evento e a estimativa de participantes?
Dr. Marcelo - São os anestesiologistas com particular interesse em anestesia regional, obstetrícia, cirurgia vascular, ortopedia, oftalmologia e todas as especialidades onde a anestesia geral não é utilizada. A anestesia regional é utilizada em mais da metade das cirurgias realizadas no Brasil. Aproximadamente 30% de todos as anestesias realizadas em nosso país são em pacientes obstétricas onde os bloqueios são indicação quase unânime. Daí pode-se observar a importância da anestesia regional. Se somarmos as outras especialidades, mais da metade das anestesias são regionais e não geral.
Em geral, ao longo dos anos este evento tem alcançado um público em média de 400 participantes de todo o Brasil.
P. H. - Quais serão os principais assuntos da programação científica do evento?
Dr. Marcelo - Os atuais avanços no tratamento da dor pós-operatória, os avanços em técnicas para analgesia, a localização dos nervos periféricos através de neuroestimuladores, a farmacologia dos anestésicos locais e outros temas paralelos que serão abordados junto a estes. Teremos também workshops onde mostraremos, através de modelos, como a técnica deve ser feita, treinando de maneira mais intensa o médico que está interessado em aprender o procedimento daquele tipo de bloqueio, ou seja, proporcionando um treinamento prático.
P. H. - Haverá alguma abordagem específica sobre novidades terapêuticas?
Dr. Marcelo - O custo para o desenvolvimento de novas drogas é muito alto e por isso não temos novidades em anestesia. Atualmente, os anestésicos que estão no mercado oferecem segurança e estabilidade muito grande e por esta razão estamos, na verdade, num momento de conhecer melhor o que temos, pois existem muitas drogas que estão há um tempo relevante no mercado e ainda discutimos diferenças entre elas, o que mostra o quanto ainda não conhecemos tudo sobre essas drogas. Então, temos que aprofundar nossos conhecimentos no que já existe, pois não adianta almejarmos novidades se não conhecemos ainda o que temos.
P. H. - Quais serão os enfoques relacionados ao tratamento da dor?
Dr. Marcelo - Iremos colocar em discussão a dor aguda no pós-operatório; não faz parte de nosso foco a dor crônica. Na dor aguda temos que entender o tratamento começando na anestesia. Nosso principal foco serão as drogas utilizadas no neuroeixo e que vão potencializar a analgesia pós-operatória. Obviamente discutiremos também sobre drogas antiinflamatórias e outras, mas o alvo principal será a analgesia no neuroeixo.
P. H. - Quais serão os diferenciais deste evento em relação às suas versões anteriores?
Dr. Marcelo - Um dos grandes diferenciais deste evento será sua interatividade. O Centro de Convenções do Hospital Sírio-Libanês possui um laboratório de informática que dará espaço para uma sessão interativa, onde um estudo de anatomia do espaço peridural e do plexo braquial será apresentado. Uma outra novidade será a sessão com um consenso que elaboramos sobre materiais e drogas utilizados em anestesiologia regional. Vamos discutir sobre como as drogas devem ser preservadas para o bloqueio, como é o processo de assepsia da pele e outros temas interessantes. O objetivo deste consenso é estabelecer alguns parâmetros e padrões do que é seguro nesta área e como deve ser feito.