Sociedade Paulista de Infectologia:
Atualização Científica em todo o Estado de São Paulo
Entrevista com o Dr. Hamilton Bonilha de Moraes1 e Profa. Dra. Maria Luiza Moretti2
1Presidente da Sociedade Paulista de Infectologia. Presidente da CCIH da Santa Casa de Piracicaba.
Presidente da CCIH do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba.
2Professora Titular de Infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Diretora do
Laboratório de Epidemiologia Molecular em Doenças Infecciosas LEMDI da Unicamp.
Por Luciana Rodriguez
A Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) realizará no próximo ano, em Campinas, mais uma edição do Congresso Paulista de Infectologia. O evento será presidido pela Dra. Maria Luisa Moretti e acontecerá entre os dias 23 e 26 de agosto de 2006 no Hotel Resort Royal Palm Plaza. O Congresso Paulista de Infectologia é uma das principais realizações da SPI, que é presidida, desde abril de 2004, pelo Dr. Hamilton Bonilha de Moraes. Esta gestão intensificou a atualização científica também através de fóruns, boletins e consensos para o associado. O Dr. Hamilton Bonilha falou nesta entrevista a Prática Hospitalar sobre as principais iniciativas à frente da SPI e dificuldades enfrentadas. Veja também o comentário da Dra. Maria Luiza Moretti sobre o Congresso Paulista de Infectologia.
Prática Hospitalar - Quais foram suas principais metas desde que eleito presidente da SPI? Conseguiu viabilizar todas elas?
Dr. Hamilton Bonilha de Moraes - Tomei posse da presidência da SPI em abril de 2004 com a intenção de aprimorar a valorização do associado, ou seja, não restringir as ações apenas em Congressos da Sociedade, mas intensificar os fóruns regionais no interior do Estado, publicação de boletins com informações científicas atualizadas e a realização de novos consensos da especialidade. Em 2004, realizamos o 2º Consenso do manuseio e terapia da hepatite C crônica; o 4º Congresso Paulista de Infectologia na cidade de Santos, com cerca de 1.500 congressistas, e um fórum regional, com duração de 2 dias, em setembro, na cidade de Piracicaba, com centenas de participantes.
Neste ano vigente, mais especificamente no mês de maio, elaboramos o 1º Consenso de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica da SPI, que deverá ser publicado em breve; neste mesmo mês realizamos um encontro regional na cidade de São José dos Campos, com inúmeros participantes; em setembro tivemos a satisfação de publicar a primeira edição da revista da Sociedade Paulista de Infectologia e, em outubro, em parceria com a Sociedade Brasileira de Infectologia tivemos, na cidade de Campinas, um curso para capacitação no “Manejo clínico das hepatites virais” (com ênfase na co-infecção HIV/hepatites B e C) e a primeira reunião para a elaboração do Consenso de infecções fúngicas da SPI e SBI.
P. H. - Quais as principais mudanças na Sociedade em relação às gestões anteriores?
Dr. Bonilha - Acredito que foram os fóruns regionais no interior; a elaboração de novas diretrizes, além do consenso de hepatite C; um maior estreitamento no relacionamento com a SBI, na realização de eventos em parceria e a 1ª edição na revista da Sociedade.
P. H. - Quais as dificuldades que mais se sobressaíram neste período em que preside a SPI?
Dr. Bonilha - Sinto-me honrado em presidir a SPI e o faço com enorme prazer. Acredito que após o Congresso realizado em Sorocaba, em 2001, a Sociedade ratificou ainda mais a posição de principal federada da SBI, havendo assim uma maior facilidade na realização de ações visando uma maior atualização do associado. Outro ponto fundamental para minimizar as dificuldades é contar com uma diretoria composta por colegas de expressão em suas áreas de atuação. Acho que a única dificuldade encontrada é a burocracia para se conseguir mudar a sede da Sociedade.
P. H. - Qual a preocupação da SPI quanto a promover atualização científica? Quais os procedimentos adotados para conseguir chegar no interior de São Paulo?
Dr. Bonilha - Quando a SPI foi fundada em 1993 já havia esta preocupação em priorizar a atualização científica no interior do Estado, ficando estabelecido naquela época que os Congressos seriam sempre realizados no interior.
Para a realização dos eventos no interior, contamos com o auxílio da indústria farmacêutica e dos colegas das cidades-sedes dos encontros.
P. H. - Como a SPI tem evoluído ao longo dos anos em relação a sua estrutura e número de associados?
Dr. Bonilha - O colega infectologista que se associa à Sociedade Brasileira de Infectologia associa-se automaticamente à Sociedade Paulista de Infectologia. Hoje, a SBI conta com 1.303 associados, sendo 467 pertencentes ao Estado de São Paulo.
P. H. - Qual a expectativa da SPI em relação ao próximo Congresso Paulista de Infectologia?
Dr. Bonilha - Nestes últimos quatro anos (2001 a 2005), a SPI realizou três Congressos (Sorocaba - 2001; Piracica--ba - 2002; Santos - 2004); portanto, tem-se especializado na realização desses eventos. Desta forma, o 5º Congresso Paulista de Infectologia, com certeza, será um sucesso como os anteriores.
5º Congresso Paulista de Infectologia
Segundo a presidente do 5º Congresso Paulista de Infectologia, Dra. Maria Luiz a Moretti, as doenças emergentes estarão entre os destaques da programação científica deste evento, sendo abordadas em mesas-redondas, como, por exemplo, das febres hemorrágicas e dos surtos de doença de Chagas que ocorreram mais recentemente. Para Dra. Moretti, os desafios em infectologia estão na área de resistência aos antibióticos e antifúngicos, ou seja, como controlar e reduzir a emergência de germes resistentes. “São muitos os desafios na área da Infectologia, pois trata-se de uma especialidade com constantes desafios e emergência de novas doenças ou mesmo a reemergência de patógenos”, diz a infectologista.
As novidades terapêuticas serão um ponto de destaque no congresso, além de novos métodos diagnósticos. São esperados mais de 1.200 profissionais da área da saúde no evento.
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