A Importância da Fisioterapia no
Grupo de Cuidados Paliativos Pediátrico
Ana Paula M. S. Dall’Anese
Fisioterapeuta, Mestranda em Oncologia.
Cuidados Paliativos é definido pela Organização Mundial da Saúde como “medidas que aumentam a qualidade de vida de pacientes e seus familiares que enfrentam uma doença terminal, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio de identificação precoce, avaliação correta e tratamento de dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais”.(1)
Os cuidados paliativos integram as disciplinas: oncologia médica, neurologia, psicologia, enfermagem, nutrição e reabilitação.(2) A interação faz com que o paciente tenha um suporte completo de todos os profissionais.
O trabalho da fisioterapia na equipe de cuidados paliativos tem por objetivo reintegrar a criança ao convívio domiciliar, instruindo o cuidador a atender suas necessidades e evitar internações ou tratamentos exaustivos à criança, estabelecer maioria dos seus potenciais diminuídos, incentivando-os a ajustar objetivos a curto prazo, aliviando seu desconforto.(3)
No período de fevereiro/2004 a janeiro/2005, 24 pacientes foram avaliados em regime ambulatorial e internado. Avaliação fisioterapêutica foi realizada na primeira consulta do grupo de cuidados paliativos e incluiu a verificação de padrões respiratórios, como ritmo e freqüência, ausculta pulmonar, presença de tosse e secreção, e também análise da força muscular, mobilidade articular, marcha e presença de dor ao movimento.
As principais queixas motoras foram: alteração da marcha (33,33%), diminuição de força muscular (25%) e amplitude articular de movimento (ADM) (12,5%), dor presente durante o movimento (20,83%). As principais queixas respiratórias foram: dor (12,5%) e déficit respiratório (20,83%) como presença de secreção (25%), aumento da freqüência respiratória (20,83%).
Apesar de perceber as disfunções apresentadas pela criança terminal, o fisioterapeuta deve centralizar seus esforços em minimizar limitações, controlar a dor e manter funções vitais.(4)
Cuidados pulmonares como suporte de oxigênio, inaloterapia, higienização brônquica e exercícios respiratórios são de grande benefício ao paciente. A dor deve ser investigada e quando identificado seu fator agravante, este deve ser afastado.
A movimentação dos membros deve ser mantida através de atividades de vida diária ou através de exercícios específicos para manutenção da força muscular e mobilidade articular. A intensidade e freqüência devem ser devidamente supervisionadas pelo fisioterapeuta, evitando assim gasto energético desnecessário, visto que o objetivo maior do programa de acompanhamento não visa à reabilitação dessa criança, mas sim seu suporte diante da limitação acarretada pela doença.
O fisioterapeuta é um instrumento de fundamental importância no grupo de cuidados paliativos, apto a orientar no alívio dos desconfortos. Sua presença ampara o paciente e o cuidador, facilita a relação interdisciplinar e amplia seus conhecimentos, favorecendo o vínculo na luta pela qualidade de vida.
REFERÊNCIAS
1. World Health Organization. Palliative Care [cited 2003 Nov 24]. Available from:http://www,who.int
2. Santiago-Palma J, Payne R. Palliative care and rehabilitation. 2001 Aug 15;92(4 Suppl):1049-52. Review.
3. Davies B. Physiotherapy in the care of the dying. Physiother Can 1980 Nov-Dec;32(6):337-42.
4. Marcant D, Rapin CH. Role of the physiotherapist in palliative care. J Pain Symptom Manage 1993 Feb;8(2):68-71.
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