Nova Diretoria e Planejamentos da
Sociedade Brasileira de Hepatologia


Entrevista com o Prof. Dr. João Galizzi Filho*
Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Hepatologista e Gastroenterologista,
Professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG.
Membro Titular da Academia Mineira de Medicina.


Por Luciana Rodriguez



No último Congresso Brasileiro de Hepatologia, realizado de 19 a 22 de outubro, em Campos do Jordão (SP), foi eleita a nova Diretoria da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). O novo presidente, o hepatologista e gastroenterologista, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG e membro titular da Academia Mineira de Medicina, Prof. Dr. João Galizzi Filho, comentou nesta entrevista à Prática Hospitalar as principais metas e os desafios à frente da SBH. Veja a seguir as considerações do especialista.

Prática Hospitalar - Quais os membros da nova Diretoria da Sociedade Brasileira de Hepatologia?
Prof. Dr. João Galizzi Filho - A Diretoria (2005-2007), da qual sou presidente, tem como 1º vice-presidente: Dr. Hoel Sette Junior (SP), 2º vice-presidente: Dr. Arnaldo Dominici (MA), 3º vice-presidente: Dr. Ivan Patrício Reyes Salvador, secretário-geral: Dr. Cláudio Figueiredo Mendes (RJ), secretário adjunto: Dra. Rosângela Teixeira (MG), 1º tesoureiro: Dr. Magnus Oliveira Andrade (MG), 2º tesoureiro: Dra. Leila Melo Brasil (AM), editor do Boletim: Dr. José de Laurentys Medeiros (MG), editor do GED: Dr. Hoel Sette Junior, presidente eleito: Dr. Ângelo Alves de Mattos (RS), representante junto à AMB: Dra. Edna Strauss (SP). A Comissão de Admissão é composta pelo Dr. Cláudio Augusto Marroni, Dr. Ajácio Bandeira de Mello Brandão e Dr. João Galizzi Filho e o Conselho Fiscal pela Dra. Helma Pinchemel Cotrim, Dr. Raymundo Paraná, Dr. André Castro Lyra, Dra. Dominique Araújo

Muzzillo e Dr. Rodrigo Sebba Aires. Procuramos formar nossa Diretoria com colegas dotados das melhores qualidades para o exercício de suas funções, representando as cinco regiões de nosso grande país. São hepatologistas de escol, prontos a enfrentar o desafio de manter a SBH em seu caminho de aprimoramento. Há certamente inúmeras linhas de trabalho a ser consideradas e várias delas já foram muito bem conduzidas pela Diretoria que nos antecedeu.

P. H. - Quais acredita serem hoje os principais desafios enfrentados pela SBH?
Prof. Dr. Galizzi - Assumimos a Presidência da Sociedade Brasileira de Hepatologia conscientes de que nossa instituição tem seguido, ao longo dos anos, uma trilha de engrandecimento e progresso científico inquestionáveis. Para isto têm contribuído ilustres colegas, através das sucessivas diretorias. Temos tido uma participação crescente nos eventos internacionais e, a despeito das conhecidas dificuldades conjunturais, o nível científico de nossos congressos e trabalhos de pesquisa tem se aproximado gradualmente do que há de melhor na Europa e na América do Norte, novos parceiros em estudos multicêntricos. Não obstante, continuam grandes as dificuldades para o financiamento de pesquisas, assim como para melhorar as condições de trabalho e remuneração de nossos investigadores. Uma sociedade científica como a SBH tem, portanto, grandes desafios a enfrentar.

P. H. - Quais suas metas à frente da SBH? Qual a preocupação em relação à educação médica continuada?
Prof. Dr. Galizzi - Sabemos que o complexo mercado de trabalho atual, com a decisiva interposição da empresa entre o médico e seu paciente e a conseqüente perda de nossa autonomia de atuação, além das inadequadas condições de formação, remuneração e exercício profissionais exigem de uma instituição médica – ainda que científica – contínua atenção às atividades associativas e à defesa profissional. A nova estruturação das especialidades médicas pela Comissão Mista de Especialidades, assim como a exigência de revalidação e acreditação dos títulos de especialistas, requerem das sociedades de especialidades um novo esforço nas ações de educação médica continuada, em suas diferentes modalidades presenciais ou on-line. Da mesma forma, a continuação dos trabalhos pelo reconhecimento da Hepatologia como especialidade médica e pela estruturação da Residência Médica em Hepatologia; a disponibilidade de uma revista científica inserida no “Index Medicus”, que seja a via de acesso de nossos trabalhos científicos à literatura médica de primeiro nível, constituindo-se em mais um incentivo a nossos pesquisadores; a promoção estatutária de inquéritos, estudos multicêntricos e consensos nacionais; a ampliação da participação, na SBH, de setores como a cirurgia, a pediatria e a histopatologia, assim como o aprimoramento dos Prêmios “Jovem Pesquisador” – “T. Figueiredo Mendes” e “Luiz Carlos C. Gayotto”.

P. H. - Quais são na sua opinião os mais recentes avanços na área da hepatologia?
Prof. Dr. Galizzi - Os mais recentes avanços na hepatologia foram o melhor conhecimento dos mecanismos fisiopatológicos das hepatites virais B e C, o desenvolvimento dos modernos medicamentos para seu tratamento (os interferons peguilados; os análogos nucleosídeos lamivudina, adefovir e entecavir para o tratamento da hepatite B crônica) e os progressos no transplante de fígado, incluindo os modernos imunossupressores. Também o melhor conhecimento da fisiopatologia da “doença gordurosa não-alcoólica do fígado”, incluindo a NASH e o desenvolvimento recente da chamada “biópsia hepática virtual” para avaliar a fibrose hepática, utilizando simples exames laboratoriais em lugar da biópsia tradicional por agulha, um método cruento.

P. H. - Como o sr. vê a parceria da SBH com outras sociedades médicas?
Prof. Dr. Galizzi - Nossos esforços são no sentido de que a SBH tenha voz ativa junto às instituições públicas e privadas envolvidas com diferentes aspectos das hepatopatias, como o Programa Nacional de Hepatites do MS, a ABTO, as Câmaras Estaduais de Transplantes de Fígado, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde do MS), o Conselho Nacional de Saúde, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e outros, assim como a contínua interlocução com a sociedade, seja através de campanhas de conscientização em relação às hepatopatias, em geral, e às hepatites, em particular, seja através do diálogo com as “organizações não-governamentais”. E uma presença eficaz junto às associações internacionais, em particular a ALEH e a IASL, contribuindo para a discussão das questões comuns e para as iniciativas interinstitucionais. Procuraremos priorizar algumas destas vertentes de ação contando, para o êxito de nossa jornada, com o esforço coeso de nossos diretores e a decisiva participação de cada sócio da SBH.