Profa. Dra. Maria Luiza Moretti*
Infectologia, Mudando Paradigmas
e Desenhando o Futuro


|As doenças infecciosas sempre acompanharam a história da humanidade de um modo presente e entrelaçado. Basta voltarmos no tempo e observar as pinturas, as esculturas, a literatura e notar que as infecções, sempre, de uma forma ou de outra, marcaram o cenário da nossa evolução.

É difícil ponderar quanto as infecções contribuíram para mudar o rumo da humanidade, ou mesmo se foram as mudanças socioeconômicas, culturais e ideológicas que de fato mudaram a nossa evolução e como as infecções se apresentam.

Nós, seres humanos, temos a nosso favor, como ponto fundamental na evolução e no sucesso da nossa espécie, a inteligência. Já os microrganismos que tanto estudamos defendem-se através de mecanismos de seleção natural e mutação que permitem sua multiplicação e sobrevivência através do tempo longínquo.

A infectologia sempre esteve presente nos grandes marcos da espécie humana. Basta citarmos as vacinas e os antibióticos, que sem dúvida mudaram o rumo da humanidade.

As grandes epidemias foram situações que, de uma forma ou de outra, refletiram e ainda refletem as mudanças e as evoluções do mundo. Se pudéssemos dar uma olhada no futuro, perguntaríamos: Como será nossa especialidade? Por que mudar os paradigmas? O fato é que as evoluções provocadas hoje irão refletir e fazer o futuro.

Quando falo de evolução, vejo que nossa especialidade se entrelaça no moinho das novas mudanças.

O novo sempre teve a ver com a infectologia. Vejamos os últimos 20 anos e o exemplo da epidemia de Aids no mundo para termos uma noção de como estamos en­raizados no mundo moderno. A Aids real­çou aos nossos olhos antigas infecções, como a tuberculose, e nos ensina as manifestações de infecções, antes raramente vistas, e que hoje fazem parte da nossa prática médica diária.

Hoje somos especialistas ativos, consultores, abrimos novos campos no mercado de trabalho e reconhecidos, mas ainda precisamos nos mostrar progressistas, sempre criando e crescendo, fazendo da infectologia uma especialidade presente, que muda paradigmas e desenha o futuro.


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* Professora Titular da Disciplina de Infectologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e Presidente do 5º Congresso Paulista de Infectologia.